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Lista de prefeituras maranhenses dominadas pelo crime da agiotagem, divulgada a partir das investigações que apuram a morte do jornalista Décio Sá, executado a tiros há um ano. De acordo com a Polícia e o Ministério Público, o bando montava empresas de fachada para vencer licitações direcionadas e utilizava ‘laranjas’, segundo reportagem do JMTV, 2ª Edição desta terça-feira (23). (Com informações do blog do Zeca Soares).
Caso Décio Sá: Gláucio Alencar fala ao Jornal Pequeno
O blog reproduz reportagem bombástica do Jornal Pequeno, assinada pelo jornalista Oswaldo Viviani, publicada na edição deste domingo (13).
Antes porém, um lúcido cometário do jurista Abdon Marinho sobre a reportagem do JP. Veja:
“Em matéria exclusiva do Jornal Pequeno, o acusado Glaucio se diz inocente e aponta linhas de investigações que poderiam ter sido exploradas pelo policia. Não quer dizer muita coisa, acusados sempre querem dá uma de inocentes. Raramente você encontra alguém preso que se assuma culpado. Até condenados pelo STF afrontam todos os dias os cidadãos de bem se dizendo inocentes.
Entretanto a matéria do jornalista Oswaldo Viviani é um primor e merece ser lida, até para que possamos nos questionar sobre o papel da secretaria de segurança pública que volta e meia é questionada sobre supostas irregularidades em sua conduta. Até deputados da base governista dizem isso e fica o dito pelo não dito.”
Agora a íntegra da reportagem de Viviani :
‘O deputado Rigo Teles falou com Décio meia hora antes de ele ser assassinado’
‘Investigação do ‘caso Décio Sá’ foi dirigida e desprezou a linha Barra do Corda’
‘Júnior Bolinha ligou para Pedro Teles 2 vezes no dia do assassinato de Décio e uma na manhã seguinte’
POR OSWALDO VIVIANI
Preso há mais de seis meses no Quartel do Comando da Polícia Militar do Maranhão, no Calhau (São Luís), o empresário e acusado de agiotagem Gláucio Alencar Pontes de Carvalho, de 35 anos – denunciado à Justiça como mandante do assassinato do jornalista Aldenísio Décio Leite de Sá, de 42 anos, em 23 de abril do ano passado – falou ao Jornal Pequeno com exclusividade, por meio de parentes e amigos, que enviaram ao preso, durante cerca de um mês, perguntas do jornal por escrito.
De sua cela de 4 por 4 metros, com um banheiro sem porta – que divide com o pai, José de Alencar Miranda Carvalho, 73, e com Fábio Aurélio do Lago e Silva, o ‘Buchecha’, 33, ambos também denunciados por participação no homicídio –, Gláucio Alencar acusou a comissão de seis delegados que investigou o ‘caso Décio’ de direcionar os trabalhos para ‘blindar’ o grupo político da família Teles, de Barra do Corda, aliada do governo estadual. A família tem como membros proeminentes o ex-prefeito Manoel Mariano de Sousa, o ‘Nenzim’ (PV), e dois filhos deste – o deputado estadual Rigo Alberto Teles de Sousa (PV) e o empresário Pedro Alberto Teles de Sousa.
De acordo com Gláucio, não só no homicídio que vitimou o jornalista, mas ao menos outros quatro crimes de pistolagem – três ocorridos em Barra do Corda e um em Teresina (PI) – têm envolvimento dos Teles – chamados, numa reportagem da revista IstoÉ, após serem presos em fevereiro de 2011 pela Polícia Federal, por desvios de recursos públicos, de ‘Família Metralha’.
Gláucio acusou Pedro Teles de ser o mandante, além do assassinato de Décio Sá, das mortes do líder comunitário Miguel Pereira da Silva, o ‘Miguelzinho’, em 1997; do advogado Almir Silva Neto, em dezembro de 2008; do negociante de carros – e também envolvido com agiotagem – Fábio dos Santos Brasil Filho, o ‘Fabinho’, em março de 2012; e do vereador Antonio Aldo Lopes Andrade, em setembro de 2012.
Segundo Gláucio, os assassinatos – todos com características de crimes de encomenda – foram apurados pela polícia, mas, à exceção do que vitimou ‘Miguelzinho’, morto após ter ocupado um terreno da família Teles (pelo qual Pedro Teles deve ir a júri popular, apontado como mandante), ‘nos outros casos, assim como no ‘caso Décio’, a polícia chegou aos executores, mas acabou responsabilizando inocentes como mandantes’.
Décio Sá postou em seu blog uma matéria sobre o ‘caso Miguelzinho’ no dia em que foi assassinado, e falava ao celular sobre o assunto com o então vice-prefeito de Barra do Corda, Aristides Milhomem de Sousa, quando o pistoleiro paraense Jhonatan de Sousa Silva, 24 anos, o executou com 6 tiros.
‘Caso Fábio Brasil’ – Ao JP, Gláucio se declarou inocente em relação ao assassinato de Décio Sá e a outro crime pelo qual igualmente é apontado pela polícia como mandante: a execução de Fábio Brasil, ocorrida em Teresina no fim de março do ano passado.
Segundo Gláucio, a viúva de Fábio Brasil, Patrícia Gracielli Aranha Martins, em seu depoimento à polícia do Piauí – ao qual o JP teve acesso –, descartou qualquer suspeita sobre ele. ‘Gláucio era um medroso’, depôs Patrícia. A viúva também informou à polícia que o marido tinha débitos com mais de 60 pessoas e que o maior credor de Fábio era Pedro Teles, a quem o negociante de carros devia cerca de R$ 800 mil.
Conforme o depoimento de Patrícia, Fábio também devia altas somas a outros supostos agiotas, entre eles Telmo Mendes Júnior (irmão da desembargadora Nelma Sarney; R$ 400 mil); Eduardo José Barros Costa (o ‘Eduardo DP’, da cidade de Dom Pedro, filho da ex-prefeita Arlene Costa; R$ 400 mil); João Batista Magalhães (o ‘Magáiver’; R$ 180 mil); e Sidarta Gautama Farias Maranhão (juiz de Caxias; R$ 110 mil).
O deputado estadual Marcos Antonio de Carvalho Caldas (PRB) também aparece no rol de credores de ‘Fabinho’. A dívida seria de R$ 60 mil, segundo a viúva da vítima.
Gláucio disse ao JP que não tinha motivos para encomendar o assassinato de ‘Fabinho’, com quem fazia negócios envolvendo várias prefeituras do interior, porque já havia resolvido com ele suas pendências financeiras – que perfaziam R$ 180 mil –, numa reunião na qual Fábio e Patrícia repassaram uma empresa a Gláucio.
‘Quem teria mais interesse na morte de Fabio Brasil: eu, que já havia considerado a dívida dele comigo quitada, ou alguém a quem ele devia R$ 800 mil, uma pessoa com histórico criminal e conhecida por resolver seus problemas à bala?’, questionou Gláucio, para quem José Raimundo Chaves Júnior, o ‘Júnior Bolinha’ (também preso), intermediou, a mando de Pedro Teles, tanto o assassinato de Fábio Brasil, como o do jornalista Décio Sá – ambos confessados por Jhonatan de Sousa Silva.
Disse Gláucio ao JP:
‘O blog do Décio postou 37 matérias contra a família Teles em um ano, enquanto nenhuma foi publicada citando meu nome. Houve, sim, menções ao meu nome em comentários no blog, quando da postagem sobre o assassinato de Fábio Brasil. Por isso, eu pedi, primeiro ao Fábio Câmara [vereador recém-eleito por São Luís, ligado ao secretário estadual de Saúde, Ricardo Murad, e amigo de Décio Sá] e depois ao Ronaldo [Ronaldo Henrique Santos Ribeiro, ex-advogado de Gláucio e também amigo do jornalista], que conseguissem marcar uma conversa com Décio, o que ocorreu no escritório de Ronaldo, na Península da Ponta d’Areia, na época da Semana Santa de 2012. Ficou acertado que Décio não publicaria mais nada sobre o caso, o que realmente ocorreu. Houve um acerto financeiro com Décio, não sei de quanto. Ronaldo foi quem pagou Décio. O fato é que – antes desse acerto ou depois – nunca, eu e meu pai [José de Alencar Miranda Carvalho], tivemos nada contra o Décio que motivasse fazermos qualquer coisa contra ele, diferentemente do Pedro Teles, que viu no blog do Décio, durante um ano, quase 40 matérias contra a família Teles. A última delas, por sinal, publicada no dia da morte do jornalista (23 de abril de 2012), denunciando um ‘jogo de cartas marcadas’, pois, das 25 pessoas selecionadas pela Justiça – das quais sete seriam escolhidas para compor o júri de Pedro Teles –, 20 tinham alguma ligação com a família do réu. E Décio não fazia segredo a ninguém de que tinha mais ‘bombas’ sobre o júri do ‘caso Miguelzinho’, que por sinal foi suspenso depois das denúncias. Está claro que Pedro Teles tinha muito mais motivos do que eu para mandar matar Décio Sá e Fábio Brasil, mas a investigação policial foi, o tempo todo, dirigida a condenar inocentes e desprezar a ‘linha’ Barra do Corda, a fim de proteger aliados do governo. O ‘Capita’ [Fábio Aurélio Saraiva Silva, ex-subcomandante do Batalhão de Choque de PM-MA, preso acusado de fornecer a arma usada no assassinato de Décio Sá, uma pistola ponto 40] e o ‘Buchecha’ também são inocentes.’
‘Peças importantíssimas desprezadas’ – Conforme Gláucio Alencar, a polícia maranhense ‘desprezou peças importantíssimas’ no inquérito que resultou na denúncia de ele ser o mandante do assassinato Décio Sá. ‘E o inquérito do ‘caso Fábio Brasil’, feito pela polícia do Piauí, também está viciado, pois foi feito com base em provas ‘emprestadas’ dos autos do processo do ‘caso Décio’. Ou seja, não houve investigação sobre a morte de Fábio Brasil’, disse Gláucio.
Um exemplo de desprezo da polícia por elementos importantes, afirmou Gláucio, foi a informação constante no depoimento do jornalista e blogueiro Marco Aurélio Nunes D’Eça (colega de profissão e amigo de Décio) de que ele (D’Eça) recebera, na tarde de 27 de abril de 2012, uma mensagem por celular de outro blogueiro, Luís Pablo Conceição Almeida (filho do também jornalista e blogueiro Luís Assis Cardoso Silva) informando que o deputado Rigo Teles disse a ele (Luís Pablo), no velório do jornalista, que havia conversado por celular com Décio Sá meia hora antes de sua morte.
‘Se o deputado Rigo Teles falou com Décio às 22h do dia 23 de abril de 2012, a polícia deveria raciocinar que a conversa ocorreu exatamente no horário em que o pistoleiro Jhonatan disse, em depoimento, que perdeu o carro do jornalista de vista. Por que a polícia não foi atrás disso? O pistoleiro poderia muito bem ter ligado para o ‘Bolinha’, que acionou alguém da família Teles e o deputado entrou no circuito, para obter a informação de onde Décio estava. O deputado poderia muito bem ter falado com Décio e informado ao pistoleiro que ele estava no Estrela do Mar. O Jhonatan afirmou à polícia que, depois que perdeu o Fox prata de Décio de vista, o encontrou na Litorânea ‘do nada’, apenas checando, nos carros que avistava, a marca e a cor. Isso é difícil de acreditar. É tão inverossímil e questionável quanto a versão inicial do pistoleiro sobre o destino da arma do crime, que ele inicialmente disse ter atirado no mar, numa viagem de ferryboat à Baixada Maranhense, e depois levou a polícia a um local nas dunas da Litorânea, e a suposta arma – uma pistola ponto 40 – foi achada enterrada. Não tenho dúvida de que alguém avisou Jhonatan que o Décio estava no Estrela do Mar’, disse Gláucio Alencar ao JP.
Ligações de ‘Bolinha’ a Pedro Teles – Outras peças da investigação, obtidas com a quebra de sigilos telefônicos – que, para Gláucio Alencar, comprovariam sua inocência –, também foram desconsideradas pela polícia, segundo o acusado.
Relatou Gláucio ao JP:
‘Júnior Bolinha ligou para Pedro Teles duas vezes no dia do assassinato de Décio [23 de abril] e uma na manhã seguinte. Essa última ligação, feita às 7h23, durou apenas 30 segundos. A polícia tem essa informação, obtida no detalhamento de serviços de longa distância da TIM, e no inquérito ocultou esse fato importantíssimo. Bolinha foi perguntado sobre as ligações num depoimento e numa acareação comigo. No depoimento, ele invocou seu ‘direito constitucional de ficar calado’, mas na acareação, novamente questionado, ele confirmou que as ligações haviam existido. Diante disso, meu advogado pediu ao delegado Jeffrey Furtado que fosse consignada a informação. Porém, o delegado disse que era ele quem presidia o inquérito e não iria colocar esse fato, o que gerou um ‘bate-boca’ entre o advogado e a autoridade policial.
Outro fato relevante desconsiderado pela polícia: o homem conhecido como ‘Neguinho’, um paraense que apresentou o pistoleiro Jhonatan para Júnior Bolinha, segundo a polícia, era ‘cobrador’ de Pedro Teles. Isso está no depoimento do próprio Bolinha. ‘Neguinho’ teve participação importante no assassinato de Décio, e está foragido até hoje. A polícia sequer se empenhou em obter sua identificação completa, e por isso a denúncia contra ele foi negada pelo Ministério Público.
Em relação ao ‘caso Fábio Brasil’, depois de o Júnior Bolinha insistir e me pressionar para participar do assassinato do Fabinho, enviei a ele [Bolinha], pelo celular de minha noiva, uma mensagem, à 00h18 do dia 30 de março de 2012, um dia antes do crime, em que deixo claro que não concordava com a ideia. ‘Não faz isso não, cara, não tenho interesse nisso’, foi a mensagem. Depois do crime, o Júnior Bolinha me procurou para tentar me extorquir. Eu falei com ele e gravei a conversa. Nela, há trechos em que eu pergunto: eu mandei fazer isso [matar Fabio Brasil]?, e o Bolinha admite que eu não havia mandado. As polícias do Piauí e do Maranhão tiveram acesso a todas essas peças, mas simplesmente desconsideraram’.
Treze acusados foram indiciados pela polícia; sete estão presos
O jornalista Décio Sá, que trabalhava na editoria de política do jornal O Estado do Maranhão – integrante do Grupo Mirante, da família Sarney –, foi assassinado com seis tiros (cinco deles fatais) de pistola ponto 40, no dia 23 de abril do ano passado, no bar e restaurante Estrela do Mar, um estabelecimento à beira-mar, na Avenida Litorânea, em São Luís.
O crime repercutiu nacional e internacionalmente, e a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), que tem à frente Aluísio Guimarães Mendes Filho, colocou as investigações sob sigilo e criou uma comissão de seis delegados para investigar o caso: Jeffrey Paula Furtado (presidente da comissão), Maymone Barros Lima, Guilherme Sousa Filho, RobertoWagner Leite Fortes, Augusto Barros Neto e Roberto Mauro S. Larrat. O Disque-Denúncia do Maranhão divulgou que uma recompensa de R$ 100 mil estava sendo oferecida por dois empresários para quem fornecesse informações à polícia que levassem à elucidação do homicídio.
Dois dias depois do crime (25 de abril), foram presos Valdênio José da Silva e Fábio Roberto Cavalcante Lima, ambos por suposta participação no assassinato, suspeita nunca comprovada. Libertado em 26 de maio, Valdênio foi assassinado a tiros em 11 de junho em sua casa, no município de Raposa (vizinho a São Luís). Fábio Roberto seguiu preso, respondendo por outras acusações, e não se sabe se continua detido.
Em 13 de junho, ao fim de mais de 50 dias de investigações – em que foram ouvidas cerca de 60 pessoas, entre funcionários de alguns dos restaurantes frequentados por Décio Sá (Estrela do Mar, Estrela Dalva O Gaúcho e Dona Maria), blogueiros, parentes, amigos e evangélicos que faziam um culto nas dunas da Litorânea e viram o assassino fugindo –, a polícia maranhense desencadeou a operação ‘Detonando’ e deu o ‘caso Décio’ como elucidado. O homicídio teria sido encomendado por R$ 100 mil.
Sete acusados de envolvimento foram presos, indiciados pela polícia e denunciados à Justiça pelo Ministério Público. São eles:
. O assassino confesso do jornalista, o paraense de Xinguara Jhonatan de Sousa Silva, de 24 anos (preso antes da ‘Detonando’, em 5 de junho, em São Luís, com drogas e armas; já transferido para um presídio federal, em Campo Grande, no MS);
. Gláucio Alencar Pontes Carvalho, 35 (empresário, acusado também por prática de agiotagem; hoje preso no Quartel do Comando da PM, no Calhau);
. José de Alencar Miranda Carvalho, 73 (pai de Gláucio; também acusado por agiotagem; está preso com o filho no Calhau);
. José Raimundo Sales Chaves Júnior, o ‘Júnior Bolinha’, 38 (empresário do ramo de automóveis e representante comercial de bebidas em Santa Inês (MA); teria feito o papel de intermediador entre o assassino, Jhonatan de Sousa, e os mandantes do crime; está preso na Unidade de Recolhimento de Regime Diferenciado – URRD –, na Liberdade);
. Fábio Aurélio do Lago e Silva, o ‘Buchecha’, 32 (trabalhava para Júnior Bolinha; segundo a polícia, ajudou na operacionalização do assassinato de Décio Sá; preso no Quartel do Comando da PM).
. Fábio Aurélio Saraiva Silva, o ‘Fábio Capita’, 36 (capitão da PM-MA; era subcomandante do Batalhão de Choque da corporação; para a polícia, foi ele quem forneceu a Júnior Bolinha – de quem é amigo de infância – a pistola ponto 40 usada por Jhonatan de Sousa para executar Décio Sá; a acusação nunca foi comprovada, mas o capitão segue preso; está no Quartel do Calhau).
. Marcos Bruno da Silva Oliveira, 28 (natural de Bacabal, foi preso em 7 de novembro do ano passado; foi ele, segundo a polícia, o verdadeiro ‘piloto de fuga’ de Jonatan de Sousa; preso em local não revelado).
Três pessoas indiciadas pela polícia ainda estão foragidas:
. Shirliano Graciano de Oliveira, o ‘Balão’, 27 (cunhado de Marcos Bruno; teria ajudado na operacionalização do assassinato de Décio Sá; denunciado pelo MP);
. Elker Farias Veloso, o ‘Diego’, 26 (apontado por Jhonatan de Sousa como seu ‘piloto de fuga’; a polícia, no entanto, diz que essa função foi realizada por Marcos Bruno da Silva Oliveira; Elker foi indiciado e denunciado por dar apoio logístico ao pistoleiro);
. Homem conhecido como ‘Neguinho’ (foi indiciado pela polícia, mas o MP não aceitou fazer denúncia contra ele, por falta de qualificação completa; paraense, teria apresentado o executor do crime, Jhonatan de Sousa, ao suposto intermediador, Júnior Bolinha).
Também foram indiciadas pela polícia e denunciadas pelo Ministério Público, por envolvimento no assassinato de Décio Sá, as seguintes pessoas, que não foram presas:
. Os investigadores da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) Alcides Nunes da Silva e Joel Durans Medeiros (dariam suporte informal aos suspeitos de agiotagem Gláucio Alencar e José de Alencar Miranda);
. Ronaldo Henrique Santos Ribeiro (ex-advogado de Gláucio Alencar; também era amigo do jornalista assassinado; apontado pela polícia como ‘braço jurídico’ de agiotas que atuam em várias prefeituras do Maranhão).
As primeiras audiências na Justiça sobre o ‘caso Décio’ estão marcadas para ocorrer nos dias 28, 29, 30 e 31 próximos, na 1ª Vara do Tribunal do Júri, no Fórum do Calhau. As audiências serão presididas pela juíza Ariane Mendes Castro Pinheiro, titular da Vara.
Situações não esclarecidas – As investigações sobre o assassinato do jornalista Décio Sá foram marcadas por situações até hoje não esclarecidas. Entre elas, a mais grave foi a suspeita de que os depoimentos do pistoleiro Jhonatan teriam sido ‘ensaiados’ para incriminar o deputado estadual Raimundo Cutrim (PSD). Jhonatan teria concordado em mencionar o nome do deputado (desafeto do secretário de Segurança Pública Aluísio Mendes), em troca da liberdade de seu primo, o também paraense Gleyson Marcena de Sousa, 26, preso com Jhonatan, no dia 5 de junho, em São Luís, com drogas e armas. Gleyson – que não teve nenhum envolvimento no assassinato do jornalista, segundo a polícia – fugiu pelo telhado da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos, na Vila Palmeira, em 20 de outubro último, e até hoje não foi recapturado.
Também ficou ‘no ar’ o assassinato de Valdênio José da Silva – primeiro suspeito do crime preso (em 25 de abril). Libertado em 26 de maio, Valdênio foi assassinado a tiros 16 dias depois, em 11 de junho. O crime nunca foi esclarecido.
Outra lacuna: os nomes das prefeituras envolvidas em agiotagem – assunto que tem um inquérito desmembrado do ‘caso Décio’ – permanecem sem ser divulgados, apesar de promessa do secretário Aluísio Mendes nesse sentido. Em seu depoimento à polícia do Piauí, Patrícia Gracielli Aranha Martins, viúva de Fábio Brasil, mencionou as prefeituras de Dom Pedro, Rosário e Paço do Lumiar como ‘clientes’ do esquema de agiotagem. Até o fim do ano passado, esses municípios eram administrados por Arlene Costa, Marconi Bimba e Bia Venâncio, respectivamente.
Por fim, a SSP-MA nunca se pronunciou sobre a situação de Airton Martins Monroe, preso no Terminal do São Cristóvão, na operação ‘Detonando’. Ele teria sido confundido com outro suspeito. (CONTINUA NA PRÓXIMA PÁGINA)
Depoimentos indicaram ‘linha Barra do Corda’
O Jornal Pequeno teve acesso a depoimentos do ‘caso Décio’ que claramente indicaram à polícia uma atenção especial à linha investigativa de que o mando do assassinato do jornalista teria partido da cidade de Barra do Corda. Veja trechos:
Marco Aurélio Nunes d’Eça (jornalista e blogueiro)
‘Que sempre que Décio Sá ia soltar uma notícia bombástica, ele tinha por hábito antecipar o fato a pessoas próximas (…) que na segunda-feira, 23 de abril [dia do assassinato de Décio], na Assembleia Legislativa, em meio a jornalistas, ao ser questionado sobre a postagem referente ao júri de Pedro Teles, Décio disse que iria ‘detonar uma nova bomba’ sobre o assunto, que iria provar a fraude que seria aquele júri (…) que era voz corrente no local do crime que a motivação do assassinato teria partido de Barra do Corda (…) que o depoente recebeu uma mensagem no seu celular, às 17h do dia 27 de abril, do blogueiro Luís Pablo (filho do jornalista e também blogueiro Luís Cardoso), cujo teor era o seguinte: ‘Tenho uma revelação para fazer sobre alguém saber que Décio estava no local [bar e restaurante Estrela do Mar]. No velório, o deputado Rigo Teles me falou que havia conversado com Décio por volta das 22h do dia de sua morte. Tire sua conclusão e mantenha sigilo do que eu disse’. Que, também por meio de mensagem, o depoente respondeu a Luís Pablo: ‘Gravíssimo, Pablo. Tu tens certeza?’ Que Luís Pablo respondeu ao depoente: ‘Absoluta. Quando ele [Rigo Teles] me falou, levei um susto. Se você quiser depois checar a informação, tenta sondar. Pergunta a ele, sem dar bandeira, que talvez ele possa dizer. Ele me disse que assim que saiu do Estádio Nhozinho Santos, após o jogo do Cordino [Moto Club 4 x 2 Cordino], falou com o Décio, por volta das 22h’ (…) que Décio Sá já havia postado em seu blog denúncia da participação de Júnior Bolinha em roubo de trator em Santa Inês, o que fez com que Bolinha perdesse a bandeira da Coca-Cola naquela cidade.’ (Págs. 337, 338, 339 e 342 do Inquérito Policial)
Aristides Milhomem de Sousa (ex-vice-prefeito de Barra do Corda; irmão do deputado estadual Carlos Alberto Milhomem, do PSD)
‘Que por volta das 22h30 do dia 23 de abril, o depoente estava em sua residência, em seu repouso noturno, quando o telefone tocou; que atendeu a ligação, vinda do telefone de Décio Sá; que Décio disse: ‘Já está dormindo de novo?’; que o depoente começou a conversar com Décio a respeito de uma pesquisa sobre a sucessão na Prefeitura de Barra do Corda; (…) que em dado momento Décio Sá repentinamente mudou de assunto, e perguntou se o depoente já havia visto a postagem em seu blog acerca do júri que ocorreria em Barra do Corda em 25 de abril; que esse júri tinha o objetivo de julgar Pedro Teles, um filho do atual prefeito, Nenzim ['caso Miguelzinho']; que o depoente disse a Décio que ainda não havia lido tal postagem, e só iria lê-la no dia seguinte, pois estava na hora de dormir; que então não mais ouviu a voz de Décio Sá, ouvindo no telefone apenas um som parecido com uma flexa cruzando o ar; que começou a chamar Décio pelo telefone, mas ele não mais atendeu; (…) que então o depoente ligou para Fábio Câmara e contou o ocorrido; que Fábio Câmara ligou para Décio duas vezes e retornou ao depoente, dizendo que iria ao bar e restaurante Estrela do Mar, onde tinha marcado um encontro com Décio; que Fábio Câmara disse que estava na Avenida Litorânea, mas o depoente não se recorda se o mesmo especificou em que lugar, nem se estava acompanhado ou sozinho; que o depoente fez contato telefônico pelo menos mais duas vezes com Fábio Câmara, quando finalmente ele disse que Décio Sá havia sido assassinado; (…) que Décio Sá tinha um posicionamento radicalmente contra crimes de pistolagem, principalmente no âmbito político; (…) que o júri de Pedro Teles foi suspenso.’ (Págs. 324, 325 e 326 do IP)
Hostílio Caio Pereira da Costa (jornalista e blogueiro)
‘Que o depoente conheceu Décio Sá em 2002 (…) e mantinha uma relação de amizade muito estreita com ele. (…) Que certa vez Décio Sá disse ao depoente que só não ‘batia’ em três pessoas: a governadora Roseana Sarney, o ex-presidente José Sarney e Ricardo Murad [secretário de Saúde e deputado estadual licenciado]. (…) Que Décio Sá era uma pessoa impulsiva e incontrolável. (…) Que, durante uma festa, a governadora Roseana Sarney perguntou para Décio porque ele ‘batia’ tanto no secretário Luís Fernando Silva [Casa Civil]. (…) Que Décio disse para a governadora que Luís Fernando pagava jornalistas para falar mal dele; (…) que a governadora disse para Décio Sá: ‘Décio, eu não vou derrubar o Luís Fernando, ele é meu amigo’. (…) Que certa vez o deputado Stênio Rezende [PMDB] fez a seguinte indagação: ‘Afinal, quem Décio escuta?’(…) que o depoente afirma que Décio só respeitava Dona Tetê [Teresa Cristina Murad Sarney; mulher de Fernando Sarney; irmã de Jorge e Ricardo Murad], dona do jornal O Estado do Maranhão, pois quando Décio cismava com alguém ou alguma coisa ninguém poderia segurá-lo; (…) que em relação à últimas postagens de Décio, a que mais chamou a atenção foi sobre o júri popular de Pedro Teles (…) que Décio conseguiu demonstrar que a sessão do júri seria um ‘jogo de cartas marcadas’, tornando certa a absolvição de Pedro Teles, acusado de mandante de crime de pistolagem ['caso Miguelzinho']. (…) Que o depoente disse para Décio Sá que aquela postagem era muito perigosa, certamente mexia com a liberdade de algumas pessoas. Que Décio respondeu: ‘Que nada, eu tenho outra bomba para soltar’. Que Décio não chegou a falar para o depoente que ‘bomba’ seria essa. Que o depoente acredita que Décio tenha sido assassinado por algo que ainda iria postar. (…) Que acredita que Décio Sá, quando saiu da Mirante, já estava sofrendo ‘alguma coisa’. Que tem essa concepção porque, no caminho da Mirante até a praia, Décio Sá ligou para Antonio [Antonio Martins Filho, conhecido como 'Nego John', assessor de Fábio Câmara], de extrema confiança de Décio, para ambos se encontrarem na praia, mas não deu tempo de Antonio chegar ao encontro, e a mesma coisa aconteceu em relação a Fábio Câmara.’ (Págs. 330, 331, 332 e 333 do IP)
Fabiane Viana Serrão (cunhada de Décio Sá, mulher de Aldenírio Plínio Leite de Sá, policial militar)
‘Que por volta das 11h [do dia 24 de abril] a declarante se deslocou ao velório de Décio Sá, em companhia de seu irmão e de seu esposo, Plínio. Que aproximadamente às 14h chegou ali a pessoa do deputado Rigo Teles, o qual não cumprimentou ninguém e se dirigiu diretamente ao caixão. Verificou o corpo de Décio Sá e em seguida deixou o local, ao telefone. Que Rigo Teles passou poucos segundos diante do caixão, saindo dali em direção à lateral que dá acesso à saída da Central de Velórios. Que sequer Rigo Teles cumprimentou os familiares que ali estavam . Que a impressão passada pela conduta de Rigo Teles foi de que teria estado ali somente para certificar-se de que Décio estava morto de fato. Que a declarante não era de ler efetivamente as postagens do blog de Décio Sá, e que somente na faculdade [Facam – Faculdade Cândido Mandes, no Renascença] ficou sabendo acerca de uma das últimas postagens de Décio, sobre uma lista de pessoas que participariam de um júri na cidade de Barra do Corda, júri este que envolvia um dos irmãos do deputado Rigo Teles [Pedro Teles].’ (Pág. 279 do IP)
Itevaldo Ribamar Soares Costa Júnior (jornalista e blogueiro):
‘Que referente à postagem do júri popular de Pedro Teles, irmão do deputado estadual Rigo Teles e filho de Nenzim, o depoente disse a Décio Sá: ‘Tu botou pra fuder com os caras’, tendo Décio dito: ‘Isso [os Teles] é só veneno’.’ (Pág. 246 do IP)
Gravação põe Aluísio Mendes sob suspeita de favorecimento político
‘CASO ALDO ANDRADE’
Uma gravação, na qual o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Aluísio Mendes, fala sobre o caso do assassinato a tiros do vereador Aldo Andrade (PSDC) – ocorrido em 22 de setembro de 2012 –, coloca o secretário sob suspeita de favorecimento político à família Teles. Aldo era adversário ferrenho dos Teles, mas a polícia apontou como motivação uma questão de terras ao ‘elucidar’ o crime.
A gravação, da qual o Jornal Pequeno obteve cópias, foi realizada involuntariamente quando, um dia após o assassinato, uma rádio de Barra do Corda aguardava para entrevistar Aluísio e o microfone aberto flagrou o secretário ao telefone falando com um interlocutor não identificado:
‘(…) que a polícia não identificou nenhum sinal de problema político na morte do vereador (…) que senão ele vai espernear lá o Milhomem, mas foi ELA quem mandou… Para ELE avisar lá (risos) os apoiadores dele…’, diz Aluísio Mendes, sem identificar quem é ELA e ELE citados na conversa.
ELA, deduz-se, certamente seria alguém hierarquicamente acima do secretário, para ‘mandar’. ELE poderia ser algum dos Milhomem (Tatá ou Aristides) ou alguém da família Teles.
A polícia insistiu na questão fundiária como motivação e acabou prendendo, em setembro passado, Jamys Rodrigues Silva, Jonas Fernandes Almeida, Jadison Silva Costa, Douglas Ferreira da Silva e Robson da Silva Santos, como envolvidos na execução do crime. Depois, pediu as prisões preventivas de outras duas pessoas, acusadas de serem mandantes do assassinato: um vereador – também adversário político da família Teles –, Paulo Lima Bandeira (Paulim Bandeira, do PC do B), e seu suplente, Wilson Silva Sousa.
O pedido foi negado em 7 de dezembro pelo juiz titular da 2ª Vara de Barra do Corda, João Pereira Neto. O magistrado alegou que ‘o Serviço de Inteligência da Polícia Civil não encontrou nada de relevante’ em ‘grampos’ efetuados contra os terminais telefônicos de Paulim e Wilson. Paulim Bandeira se reelegeu em outubro.
(Oswaldo Viviani)
Secretário Aluísio nega direcionamento de investigações
Em contato por telefone, na manhã de ontem (12), o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Aluísio Mendes, negou ao Jornal Pequeno que a ‘linha Barra do Corda’ tenha sido desprezada na investigação dos assassinatos de Décio Sá e Fábio Brasil.
Disse o secretário ao JP:
‘Nos detivemos em duas linhas principais – a que levava ao Gláucio Alencar e a de Barra do Corda. No decorrer das investigações, provas contundentes mostraram que a linha mais verossímil era a que apontava na direção de Gláucio, em ambos os homicídios. Os advogados do Gláucio estão em seu papel, de lançar dúvidas sobre o trabalho da comissão de delegados, que conduziram os trabalhos com tranquilidade e serenidade. Desconheço se houve ligações de Júnior Bolinha a Pedro Teles e se o delegado Jeffrey tenha se negado a incluir no inquérito essas supostas ligações’.
Aluísio Mendes admitiu o teor da gravação sobre o ‘caso Aldo Andrade’ e reafirmou que o assassinato do vereador não teve motivação política, mas não revelou quem é ‘ELA’, que teria ‘mandado’ descartar essa motivação para o crime do vereador, inimigo ferrenho da família Teles. ‘Não me lembro do contexto em que essa palavra ['ELA'] teria sido dita, afirmou Aluísio Mendes.
Acusado de envolvimento na morte de Décio Sá recebe atendimento médico em UPA de São Luís
O empresário José de Alencar Miranda (foto), recebeu atendimento médico na UPA do Vinhais no último dia 17 por volta das 17:30h, apresentando quadro de insuficiência respiratória e enjoo.
Com 72 anos de idade e sob forte escolta por cinco policiais do COE (Comando de Operações Especiais) da Polícia Militar, Miranda, como é conhecido, foi submetido à avaliação clínica e em seguida medicado. Já na Unidade de Pronto Atendimento, foi acompanhado durante todos os procedimentos por uma filha.
As imagens foram capturadas casualmente por um colaborador do Blog presente à UPA no momento da chegada de Miranda. A grande presença de policiais despertou a curiosidade de todos.
CASO DÉCIO
José de Alencar Miranda é pai de Gláucio Alencar, ambos acusados de envolvimento na morte do jornalista Décio Sá, morto a tiros na noite de 23 de abril em um bar da Avenida Litorânea, em São Luís. Miranda e Gláucio seriam os supostos mandantes e financiadores do crime, que teria sido executado pelo réu confesso Jonathan de Sousa Silva. Os acusados, presos desde junho após operação da PM, teriam envolvimento em uma rede de agiotagem com atuação no Maranhão e Piauí.
Caso Décio: Parceria…
Do blog do Gilberto Léda
A foto que ilustra este post já havia sido publicada aqui antes. Mas estava “cortada” e nela apareciam apenas o advogado Ronaldo Ribeiro (de paletó, sorrindo) e Pedro Meireles (de camiseta azul-escuro, também com um belo sorriso no rosto), como se vê aqui.
Ocorre que da pequena reunião da qual os dois participavam – durante o velório do jornalista e blogueiro Décio Sá, em abril deste ano – também fazia parte o chefe da regional Maranhão da Controladoria Geral da União (CGU), Roberto Viégas (de óculos escuro, também sorrindo na foto acima – é ele na foto ao lado).
A maioria das ações da Polícia Federal comandadas pelo delegado federal Pedro Meireles – que aparece em depoimento do agiota Glaucio Alencar e já prestou depoimento no inquérito que apura a morte do jornalista – era feita em parceria com a CGU, de Viégas.
Inclusive a Operação Donatários, no Incra…
A relação de Décio Sá e Pedro Meireles
Do blog do Marco D’Eça
É estranha a forma como blogs de São Luís apressaram-se a sair em defesa do delegado de Polícia Federal Pedro Meireles, logo que souberam de seu depoimento no caso Décio Sá – e quando ninguém havia feito qualquer acusação a ele.
Curiosamente, alguns destes blogs são os mesmos já apontados como possíveis braços midiáticos da quadrilha que, segundo a polícia, matou Décio Sá.
Print da página elogiosa de Décio a Meireles, logo após estremecimento público entre os dois
Este blog não faz juízo de valor algum sobre qualquer dos envolvidos no caso Décio Sá, seja acusado, citado ou testemunha – muito menos do delegado Pedro Meireles.
Mas este blog também não tem compromisso de defender e muito menos atacar ninguém. Não se submete ao que quer a polícia e não mantém relação com qualquer envolvido no caso.
Nem teve ontem e nem tem hoje.
O compromisso deste blog é com o relatar dos fatos, e a análise dentro da sua visão de mundo, da forma como ocorreram.
E o fato é que Décio Sá e Pedro Meireles tiveram muitos momentos de tensão na relação jornalista-homem público, seguida de uma aproximação muito além da relação jornalista-homem público.
Esta proximidade aumentou a partir de 2008 – como se pode conferir pelos próprios textos de Décio – exatamente quando aumentaram as investigações em prefeituras, após criação de uma comissão na Polícia Federal chefiada por Pedro Meireles.
Caso Décio Sá: Sarney afirma que “justiça será feita”
O presidente do Senado, Jose Sarney, dedicou o seu artigo dominical, no jornal O Estado do Maranhão, à elucidação do assassinado do jornalista e blogueiro Décio Sá.
Sarney elogia o trabalho da Secretaria de Segurança e chega a comparar o tempo levado para polícia maranhense pegar assassinos e mandantes da execução de Décio com o caso do jornalista Tim Lopes, da Rede Globo, que levou dois anos para que os assassinos fossem descobertos.
Pelo texto, o ex-presidente da República deixa a entender que haverá justiça e os culpados serão punidos. Sarney, entretanto, não fez referência aos desdobramento da elucidação do caso, mas os elogios que faz ao trabalho do secretário Aloísio Mendes pode ser a senha do patriarca do clã para que as investigações sigam em frente nem que seja preciso, como afirmou a filha Roseana Sarney, “cortar na própria carne”.
A seguir, a íntegra do artigo de José Sarney:
Décio, justiça será feita
Todos nós do Maranhão, na semana que passou, fomos tomados de uma grande emoção, com o trabalho excepcional da Secretaria de Segurança, desvendando esse crime hediondo, a cruel execução do jornalista Décio Sá, um dos mais notáveis talentos jornalísticos surgidos em nossa terra nos últimos tempos. Era um repórter da melhor fornada do jornalismo investigativo, tinha a paixão pela notícia e a coragem de divulgá-la, sem medo, sem receio. Ele foi um exemplo de profissional comprometido com a liberdade de informação, com a consciência de seu dever e do jornalismo que tem como motivação fundamental questionar, discutir, revelar.
E foi um pioneiro – já disse isso – que logo descobriu as potencialidades dos novos meios de comunicação, a força da internet e saiu da rotina de escrever suas matérias no jornal, para estabelecer uma interação com o público através do seu blog. Blog que se tornou um fenômeno pelo sucesso alcançado e constatado pelas dezenas de milhares de acesso.
Sua morte causou comoção estadual e nacional, suscitando em todos nós a ansiedade pela busca e captura dos responsáveis, os culpados. Tal sentimento me fez muitas vezes ser injusto com o secretário Aluísio Mendes, do qual cobrava resultados das investigações quase diariamente. Ele, entretanto, seguro, me tranqüilizava: “Estamos desenvolvendo um trabalho altamente profissional, científico em torno de um crime complexo, de encomenda, feito por profissional, vamos alcançá-lo”. E assim foi. Mobilizou várias equipes de delegados, agentes e técnicos que levantaram cuidadosamente as pistas, analisaram, trabalharam em silêncio, sem vazamentos. Uma ação técnica e científica levada a cabo por equipes de inteligência qualificadas. Foram mais de 10 mil cruzamentos de telefones, identificando os nomes de seus usuários que tinham utilizado celulares na noite do crime. O meticuloso retrato falado feito pelos melhores técnicos da Policia Federal combinou-se com intercâmbio de informações entre as policias de diversos estados e com a utilização do banco de impressões digitais.
Foi um trabalho extremamente competente. Lembremos que o assassinato de jornalista Tim Lopes, da Rede Globo, levou dois anos para ser descoberto. Agora, neste ano foram mortos quatro jornalistas no país – e o único crime descoberto e resolvido foi o do Décio Sá.
É inacreditável que a alma humana ainda possa ter sicários do nível dos que nos levaram o Décio. Um facínora de mais de 40 mortes e um banco de contraventores e agiotas que julgavam que a impunidade existia. Como bem disse a governadora Roseana “aqui não é lugar para bandidos e vamos caçá-los e puni-los com todo rigor”. Ela no seu primeiro governo desmontou a quadrilha de roubo de carro e agora vai desmontar essa.
A prisão do assassino e dos mandantes sem dúvida nos conforta. A justiça será feita, mas nada resgata a vida preciosa e brilhante de um homem de talento, lutador da notícia e que fará imensa falta ao jornalismo do Maranhão: DÉCIO SÁ.
Ricardo Murad afirma esperar “desdobramentos” em relação ao caso Décio Sá
O secretário de Saúde, Ricardo Murad, disse ao blog que está satisfeito com o resultado da operação “Detonando”, que elucidou o assassinato do jornalista e blogueiro Décio Sá.
Em conversa com o blog, durante jantar oferecido pelo vice-governador e pré-candidato a prefeito de São Luis, Washington Oliveira, ontem (14), Murad afirmou que embora satisfeito, espera os desdobramento da operação coordenada pelo secretário Aloísio Mendes.
“A equipe do secretário Aloísio Mendes é digna de todos os elogios. A governadora Roseana Sarney e o governo como um todo estão satisfeito como os resultados da operação que colocou o assassino de Décio Sá na cadeia juntamente com os mandantes. Agora espera-se os desdobramento da operação e o aprofundamento das investigações para prender mais gente envolvida no crime organizado do Maranhão”, disse.
Ricardo Murad era amigo pessoal de Décio Sá com quem mantinha relação muito próxima, e acompanhou de perto as investigações que levaram à prisão dos envolvidos na execução do jornalista do sistema Mirante.
Da sua página no Facebook, Ricardo Murad cobrou o reconhecimento do trabalho da polícia maranhense por parte do deputado federal Domingos Dutra e do presidente da Embratur, Flávio Dino. Os dois oposicionistas eram críticos ferrenhos das investigações e chegavam a desdenhar do trabalho da secretaria de Segurança.
Dutra já se manifestou sobre a elucidação do caso. Já Flávio Dino mantém-se recolhido ao silêncio arrogante.
Crime organizado, imprensa e o Maranhão passado a limpo
No post Roseana Sarney e o caso Décio Sá, de 09 de maio de 2012, o titular do blog afirmou que a execução do colega Décio Sá, poderia, desgraçadamente, ser um instrumento para passar o Maranhão a limpo.
Após o brilhante trabalho coordenado pelo secretário Aloísio Mendes, que culminou na prisão do assassino e dos mandantes da crime contra o jornalista, fica a certeza de que realmente o governo tem todas as condições de iniciar uma faxina no estado no que diz respeito ao crime organizado, basta enfrentar o câncer da agiotagem, que tudo indica ser a célula mater de todas as sacanagens envolvendo dinheiro público, corrupção em prefeituras, compra de magistrados, eleição de deputados, prefeitos etc.
Esse tipo de crime tornou-se tão banal no Maranhão que é comum dizer e ouvir dizer que agiotas tomam conta literalmente de algumas prefeituras maranhenses. Até talonários de cheques das contas do FPM, FUNDEF, SUS, ficam em posse da bandidagem.
Nesse sentido, execução de Décio Sá não é só resultado da sua ambição profissional pela “notícia”. Ela tem a ver com a promiscuidade que alguns profissionais da imprensa estabelecem com setores do crime organizado. Promiscuidade essa quase sempre regada a uísques importados e mesa farta em restaurantes chiques da cidade, quando não noitadas em prostíbulos top line. Tudo bancado pela bandidagem.
Às vezes fico cá com meus botões indagando: quantos “amigos” e jornalistas próximos a Décio contribuíram, de certa forma, para o trágico fim do “Detonador”? Quantas consciências pesadas não conseguem fazer dormir os que patrocinaram “agendas” entre Décio e criminosos, entre os quais esses que viriam colocar fim a sua vida?
Décio Sá, ainda que involuntariamente, pode ter cavado a própria sepultura no momento em que resolveu mexer e remexer com gente que, além de carrões, apartamentos luxuosos, sessões de luxúrias etc, não medem esforços para matar. Uma coisa é o jornalista denunciar um crime ou um criminoso, outra coisa é ele querer fazer as duas coisas e ainda se permitir a abrir canais de promiscuidade com essa gente.
As investigações não podem, aliás, não devem parar por aqui. O próprio Aloísio Mendes afirmou que essa história envolvendo o assassinato de Décio vai longe e teria até proteção de políticos pelo meio, o que é óbvio.
Enfim, o Maranhão pode iniciar uma nova página na sua história a partir do caso Décio Sá. É a apenas uma questão de decisão de governo e vontade política de quebrar a coluna vertebral do crime organizado a partir desse inferno que é a agiotagem.
Caso Décio Sá: o blog vai aguardar o fim do frenesi
De volta à Ilha do Amor, o blogueiro se depara com a grata notícia de que a polícia do Maranhão, sob comando do secretário Aloísio Mendes, enfim conseguiu colocar as algemas nos assassinos do jornalista Décio Sá, e não demorará para apresentar à sociedade e à família da vítima os mandantes do crime.
Por aqui nunca pairou a dúvida de que esse momento ia chegar e muito menos pediu-se a cabeça de Aluísio Mendes ou de qualquer autoridade do sistema de Segurança Pública do Maranhão. Pelo contrário, o bom senso e as informações do blog davam a certeza que esse bárbaro assassinato não cairia no esquecimento, assim como não cairá na impunidade.
Contudo, o titular do blog vai esperar o fim do frenesi e do sensacionalismo, que dominam a blogosfera, para depois fazer os devidos comentários sobre o assunto.
Aguarde.
Suspeito de assassinar o jornalista Décio Sá é preso
Uma operação policial que envolveu 12 delegados e 70 policiais civis e homens do Grupo Tático Aéreo (GTA) conseguiu capturar o provável executor do jornalista e blogueiro Décio Sá. O execução ocorreu no dia 23 de baril, por volta das 23h30, na Avenida Litorânea.
Até o momento ainda não há informações sobre quem foi o mandante desse crime cruel e o que levou à contratação do assassinato do jornalista maranhense.
Daqui a pouco mais informações.
Abaixo, matéria do Imirante:
Operação foi realizada nesta quarta-feira (13) em municípios do MA e PA. Outros sete foram presos.
SÃO LUÍS – A policia cumpriu, nesta manhã, oito mandados de prisão e 14 de busca e apreensão na operação “Detonando”, em São Luís, Santa Inês e Zé Doca e em municípios do Pará. Na operação, participaram 12 delegados e 70 policiais civis e homens do Grupo Tático Aéreo (GTA). O homem, de 24 anos, apontado como executor de Décio Sá já foi preso, no Estado do Pará e, segundo a polícia, já teria praticado outros crimes. A informação foi confirmada pelo secretário de Segurança Pública, Aluísio Mendes. Outras sete prisões foram realizadas.
Informações serão repassadas à imprensa em uma entrevista coletiva logo mais na Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Maranhão, quando os assassinos do jornalistas serão apresentados.
O assassinato do jornalista do jornal O Estado do Maranhão e blogueiro Décio Sá aconteceu no dia 23 de abril deste ano, em um bar na avenida Litorânea. Ele foi executado com cinco tiros de pistola ponto 40.
Assassinato
Na noite de segunda-feira (11), Valdênio José da Silva, de 38 anos, preso dois dias após o assassinato do jornalista Décio Sá, sob suspeita de participação no crime, foi assassinado, ao lado da esposa, no Residencial Talita, município de Raposa, onde morava. Valdênio foi executado com cinco tiros de revólver.
Suspeito inicialmente de ser uma das pessoas que deram fuga ao assassino do jornalista, Valdênio foi preso em 25 de abril em companhia de Fábio Roberto Cavalcante Lima, o Fabinho, apontado como cúmplice no crime. Ao ser capturado, portava um revólver calibre 38. No dia seguinte, a juíza Alice de Sousa Rocha, titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri, decretou a prisão temporária da dupla.
Valdênio, que tinha uma ficha criminal extensa, inclusive uma prisão em 2009 por chefiar uma quadrilha especializada em roubo de cargas, em Alagoas, estava solto há cerca de 15 dias.








