Sobre parceiros e pariceiros

Em primeiro lugar, desculpas pela demora na postagem prometida, mas contratempos de “logística” atrasou o titular do blog em algumas atividades causando, consequentemente, atrasos por aqui também. Vamos ao que interessa.

Na segunda-feira (28), ontem, portanto, o blogueiro participou da audiência pública “O Jornalista no Estado Democrático de Direito: Realidade e Soluções”, realizada na Assembleia Legislativa.

O evento colocou, na prática, blogs e blogueiros na berlinda fazendo com que, em determinado momento, a audiência enveredasse para os vícios de conduta ocorridos na blogosfera maranhense.

Esta postagem não irá entrar nas questões gerais discutida na referida audiência, apenas discorrer sobre uma palavrinha que começa a ser tratada como desdém e em tom pejorativo por alguns parlamentares: PARCERIA.

Na sessão desta terça-feira (29), o termo voltou ser abordado no parlamento maranhense a partir do discurso da deputada Vianey Bringel (PMDB), que da tribuna denunciou ser vítima de chantagem ou extorsão por parte de um determinado blog.

Sem citar qual blog, a deputada acabou pondo todos os profissionais na vala-comum da falta de ética e de malfeitos na blogosfera e na imprensa como um todo.

Tanto que depois do pronunciamento da peemedebista, o líder da oposição Marcelo Tavares (PSB) tentou fazer com que a parlamentar declinasse o nome do blog “detrator” da honra da sua família a fim de evitar injustiças advindas com generalizações. Infelizmente a deputada Vianey Bringel não atendeu ao apelo de Tavares. E não cabe a este blog entrar no mérito se a deputada tem razão ou não.

PARCERIA

Parceria virou uma “palavra de ordem” a partir da década de 90, principalmente com o advento da chamada Globalização da Economia.

Começou na microeconomia como forma das empresas fortalecerem a união com colaboradores, fornecedores e clientes visando um fim comum para chegarem mutuamente ao sucesso almejado nos negócios.

Depois avançou com o crescimento das Organizações Não Governamentais (ONG), onde o terceiro setor começou a desenvolver trabalhos relevantes em PARCERIA tanto com empresas quanto com o setor governamental.

Em seguida, surgem as chamadas Parcerias Público-Privadas (PPPs), que visam estabelecer união de conhecimentos, informações e competências entre o setor público e a iniciativa privada visando o bem da coletividade.

Aos poucos a palavra se tornou uma categoria na área dos negócios passando fazer parte do glossário oficial da Administração e da Economia. De mero modismo no início dos anos 90, PARCERIA passou ser uma estratégia no mundo empresarial e dos mercados.

Tudo isso acima, para o blog mostrar que trata-se de um erro crasso um parlamentar fazer da PARCERIA um “palavrão” quando o assunto é a relação entre profissionais da imprensa e os políticos.

Qual o problema de um jornalista, blogueiro, radialista ou qualquer outro profissional da imprensa procurar, por exemplo, um deputado e oferecer os seus serviços? Da mesma forma, o que impede um parlamentar em convidar esses profissionais e propor uma PARCERIA para que suas ações sejam divulgadas na mídia?

Deputado que se orgulha de não pagar um serviço profissional de comunicação para ter a sua produção parlamentar divulgada é, antes de qualquer coisa, um tremendo “pão-duro”, além de não ter a exata compreensão da importância em estar mídia.

PARICEIRO

Entretanto, infelizmente, há políticos que não gostam de PARCEIRO, mas sim de PARICEIRO.

Isso ocorre quando o que une a ambos não é o trabalho limpo, profissionalmente ético e transparente.

Quando um político e um profissional de comunicação são PARICEIROS  a relação estabelecida se dá em termos meramente de “negociatas”, sem interesse público, sem foco na divulgação do mandato etc. É quando ambos fazem um acordo para denegrir a imagem de adversários políticos, desafetos na imprensa, entre outros trabalhos nada republicanos.

É entre os PARICEIROS que surgem os casos de denuncismo, que é a corruptela da “denúncia”, essa sim, dotada de espírito jornalístico, juízo crítico e seriedade profissional. O denuncismo é instrumento que alimenta a “pistolagem” na blogosfera e na imprensa irresponsável.

Quando a relação é entre PARICEIROS, estão comprometidos político e profissional da imprensa, causando má impressão entre um e outro na sociedade.

O desafio posto nessa relação historicamente conturbada entre a classe política e a imprensa é estabelecer o respeito necessário para que PARCEIRO não se confunda com PARICEIRO.

Enfim, fica aqui a contribuição do blog para esse debate sobre a relação políticos/profissionais da imprensa no sentido de que ambos não se envergonhem em fazer uma PARCERIA, quando for o caso.

4 Comentários em Sobre parceiros e pariceiros

  1. Gilvan Neves disse:

    Gosto das suas análises políticas, mesmo tendo severas restrições as suas posições partidárias e sou assíduo leitor do blog, mas confesso que me decepcionei profundamente com esse post.

    Jornalista não tem que ter parceria com político nenhum, tem que apenas noticiar os fatos e a analisar conforme suas convicções.

    Como se sentirá o jornalista que tiver “parceria” com político e precisar critica-lo? Confortavél e muito menos simples não será.

    Infelizmente a blogosfera maranhense optou por seguir esse caminho de “parcerias” que são a mesma coisa de “pariceiros”. Infelizmente quem perde são os maranhenses…

    • robert lobato disse:

      Resposta: Lamento ter decepcionado você, mas é o que penso. Contudo, se um jornalista, blogueiro ou radialista faz uma parceria com um deputado, por exemplo, ele o político se mete em malfeito, o profissional pode cancelar a parceria. Dinheiro não pode comprar a consciência das pessoas. Aliás, os blogs ajudam esse profissionais não ficarem reféns dos grandes veículos de comunicação para sobreviverem…

  2. Antenor Lima disse:

    Por obséquio, responda-me:

    Os blogueiros ligados ao Sistema Mirante e os políticos ligados ao Grupo Sarney são parceiros ou pariceiros?

    Att.

    Antenor

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