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Em memória de Karl Marx: o maior filósofo de todos os tempos
“A burguesia arrasta na corrente da civilização todas as nações, até as mais bárbaras. Sob pena de corte, força todas as nações a adaptar o modo burguês de produção; força-as a introduzir a chamada civilização, quer dizer, a tornar-se burguesas. Numa palavra: forja um mundo à sua imagem e semelhança. (Trecho do Manifesto do Partido Comunista, publicado em Fevereiro de 1848).
No último dia 14 de março, completou 130 anos da morte física do filósofo e ativista político alemão Karl Marx. Frisa-se bem o “morte física” porque a obra, as ideias, ideais e práxis de Marx não morrem jamais.
A cada passo de evolução da sociedade o pensamento daquele que foi eleito pela Rádio rádio 4, da BBC de Londres, o maior filósofo de todos os tempos, torna-se mais importante para compreendermos a relação exploração x explorado, marca vital e mortal do capitalismo.
Em nome de Marx e do “marxismo” foram feitas gloriosas revoluções populares pelos quatros cantos do mundo.
Em contrapartida, foi também em seu nome e de sua obra que cometeram, e ainda comentem, inúmeras atrocidades, inclusive contra a humanidade. Tal como no caso da Inquisição ou das Cruzadas, que em nome de Jesus Cristo torturaram, perseguiram e assassinaram, em nome de Marx alguns déspotas e ditadores sanguinários fizeram o mesmo.
As causas de Marx eram e ainda são justas e imprescindíveis ao bem da humanidade, mas o grau de deformação sobre os seus estudos foi tamanho que muito do que ele disse e escreveu acabou virando “programa oficial” de governos autoritários, daí que sou da mesma opinião do grande historiador Eric Hobsbawm, falecido no ano passado, quando afirma: “Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que os seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista”.
A deformação do pensamento de Karl Marx foi de tal envergadura que deu-se pouco destaque ao jovem Marx humanista dos tempos dos Manuscritos Econômicos e Manuscritos Econômico-Filosóficos. O “marxismo oficial” sempre gostou mais do Marx d’O Capital.
Enfim, o Blog do Robert Lobato não poderia deixar passar em branco a data dos 130 anos de saudade internacional do homem que mudou a forma do mundo ver o mundo.
A seguir o discurso no Funeral de Karl Marx feito em 18 de Março de 1883 pelo amigo e principal colaborador intelectual Friedrich Engels. Veja:
Em 14 de Março, quando faltam 15 minutos para as 3 horas da tarde, deixou de pensar o maior pensador do presente. Ficou sozinho por escassos dois minutos, e sucedeu que o encontramos na sua poltrona dormindo serenamente — dessa vez para sempre.
O que o proletariado militante da Europa e da América, o que a ciência histórica perdeu com a perda desse homem é impossível avaliar. Logo evidenciara-se a lacuna que a morte desse formidável espírito abriu.
Assim como Darwin em relação a lei do desenvolvimento dos organismos naturais, descobriu Marx a lei do desenvolvimento da História humana: o simples facto, escondido sobre crescente manto ideológico, de que os homens reclamam antes de tudo comida, bebida, casa e vestuário, antes de poderem praticar a política, ciência, arte, religião, etc., e que portanto a produção imediata de bens de primeira necessidade e com isso a correspondente etapa económica de um povo ou de uma época constitui o fundamento a parir do qual as instituições políticas, as instituições jurídicas, a arte e mesmo as noções religiosas do povo em questão se desenvolve, na ordem em que elas devem ser explicadas – e não ao contrário como nós até então fazíamos.
Isso não é tudo. Marx descobriu também a lei específica que governa o actual modo de produção capitalista e a sociedade burguesa por ele criada. Com a descoberta da mais-valia descobriu-se subitamente esses problemas, enquanto todas as investigações passadas, tanto dos economistas burgueses quanto dos críticos socialistas, perderam-se na obscuridade.
Duas descobertas tais deviam a bastar uma vida. Já feliz é aquele que faz somente uma delas. Mas em cada área isolada que Marx conduziu a pesquisa, e estas pesquisas eram feitas em muitas áreas, nunca superficialmente, em cada área, inclusive na matemática, ele fez descobertas singulares.
Tal era o homem da ciência. Mas isso não era nem de perto a metade do homem. A ciência era para Marx um impulso histórico, uma força revolucionária. Por muito que ele ficasse claramente contente com um novo conhecimento em alguma ciência teórica, cuja utilização prática talvez ainda não se revelasse – um tipo inteiramente diferente de contentamento ele experimentava, quando tratava-se de um conhecimento que exercia imediatamente uma mudança na indústria, e no desenvolvimento histórica em geral. Assim por exemplo ele acompanhava meticulosamente os avanços de pesquisa na área de electricidade, e recentemente ainda aquelas de Marc Deprez.
Pois Marx era antes de tudo revolucionário. Contribuir, de um ou outro modo, com a queda da sociedade capitalista e das instituições estatais burguesas, contribuir com a emancipação do proletariado moderno, que primeiramente devia tomar consciência de sua posição e de seus anseios, consciência das condições de sua emancipação – essa era sua verdadeira missão em vida. O conflito era seu elemento. E ele combateu com uma paixão, com uma obstinação, com um êxito, como poucos tiveram. Seu trabalho no ‘Rheinische Zeitung’ (1842), no parisiense ‘Vorwärts’ (1844), no ‘Brüsseler Deutsche Zeitung’ (1847), no ‘Neue Rheinische Zeitung’ (1848-9), no ‘New York Tribune’ (1852-61) – junto com um grande volume de panfletos de luta, trabalho em organizações em Paris, Bruxelas e Londres, e por fim a criação da grande Associação Internacional de Trabalhadores coroando o conjunto – a verdade, isso tudo era de novo um resultado que deixaria orgulhoso seu criador, ainda que não tivesse feito mais nada.
E por isso era Marx o mais odiado e mais caluniado homem de seu tempo. Governantes, absolutistas ou republicanos, exilaram-no. Burgueses, conservadores ou ultra-democratas, competiam em caluniar-lhe. Ele desenrolava tudo isso como se fosse uma teia de aranha, ignorava, só respondia quando era premente essa necessidade. Ele faleceu venerado, amado, chorado por milhões de companheiros trabalhadores revolucionários – das minas da Sibéria, em toda parte da Europa e América, até a Califórnia – e eu me atrevo a dizer: ainda que ele tenha tido vários adversários, dificilmente teve algum inimigo pessoal.
Seu nome atravessará os séculos, bem como sua obra!
Vaticano: vídeo revela que Bento XVI não era bem-vindo por setores da Igreja Católica
Não fosse pela existência da internet, e consequentemente das mídias alternativas, jamais o mundo, inclusive as massas católicas, tomariam conhecimento de um vídeo revelador e um tanto constrangedor.
Em 2011, durante um evento em Berlim (Alemanha), o Papa Bento XVI cumprimentou um por um todos os representantes e cardeais católicos que ali estavam. Mas, para surpresa do público, vários cardeais recusaram-se a estender a mão em cumprimento (e respeito) ao Sumo Pontífice, que em fevereiro deste ano renunciou ao trono de Pedro.
O vídeo foi ignorado pelos fiéis mais fervorosos, aos mesmo tempo que intrigou os católicos com maior senso crítico sobre os rumos que Igreja vem tomando nos últimos anos.
As imagens a seguir mostram, definitivamente, não haver dúvidas de que Bento XVI não era bem-vindo por setores ultra-conversadores (?) da cúpula do Vaticano.
Por que será que isso não vazou na grande imprensa internacional na época?
Veja o vídeo e tire suas próprias conclusões:
Mudanças necessárias
Nunca entendi exatamente o motivo, mas o meu hábito de escrever veio muito antes da leitura. Aliás, na adolescência não gostava muito de ler, tinha preguiça mesmo.
O gosto pela leitura veio somente na fase pré-universitária, quando dois livros marcariam definitivamente a minha formação política e ideológica para sempre: Cangaceiros e Fanáticos, de Rui Facó; e Psicanálise da Sociedade Contemporânea, de Erich From. O primeiro trata de movimentos das massas sertanejas como foram Canudos e o Contestado. A segunda é leitura do psicanalítica e marxista (Escola Crítica) sobre os dramas do ser humano na sociedade capitalista atual, da veneração das coisas em detrimento valorização daquilo que dá sentido à vida.
Mas é o gosto de escrever que me seduz. Na verdade, escrever as minhas bobagens é uma espécie de terapia, um exercício saudável que me rejuvenesce a cada instante.
Portanto, o que me trouxe à blogosfera foi justamente isso: a possibilidade de poder me enforcar nas cordas da liberdade para escrever sobre o que penso, reflito e acredito; dissertar sobre as angústias do ser humano, as intempéries desta sociedade hipócrita; provocar os poderosos, curtir da cara de quem tem a cara amarrada, brincar com acontecimentos sérios, enfim, gosto de sentar em frente ao computador ou deitar diante do meu notebook e deixar fluir os instintos, insights e inspirações.
Não costumo tomar a iniciativa de escrever para agradar seja quem for, mas posso escrever para alguém que me peça algo. Já fiz isso várias vezes e faço quantos vezes for necessário se entender que o solicitante mereça. E nunca cobrei absolutamente nada!
Entretanto, percebo que a blogosfera e os blogueiros nativos vêm sendo comparados, cada vez mais, com a política e os políticos.
Não que isso seja uma ofensa, até porque existe a boa política assim como existe o bom político.
Refiro-me ao ao lado negativo de como o cidadão vê os políticos: como sendo todos iguais e que a política é apenas um instrumento para se dar de bem. Percebo que tem acontecido o mesmo em relação aos blogs e blogueiros, infelizmente.
Isso tem me incomodado.
Quando pensei em criar um blog foi para fomentar o debate sobre as coisas que dão sentido à vida, tanto que há várias “categorias” contempladas aqui. O blog não é exclusivamente político, ainda que seja a pauta principal.
Não criei este blog para aparecer, por exemplo, comentarista aqui e dizer o que bem entender sobre a minha pessoa muitas vezes sem sequer me conhecer pessoalmente. A crítica é boa, salutar e necessária para orientar o criticado, mas daí achar que é “democrático” invadir um espaço de debate e discussão de ideias para agredir e vilipendiar o editor do blog, isso não se pode aceitar.
Outra coisa desestimulante é o fato de muitos acharem que eventuais postagens elogiosas a políticos, autoridades etc são necessariamente motivadas por recebimento do famoso “jabá”. Nada a ver!
Os blogs são ferramentas de informações e podem, sim, ganhar um formato profissional e ser fonte de emprego e renda. Já há vários blogs no Brasil que são verdadeiras empresas de comunicação.
Tudo isso para informar aos leitores que o titular deste blog estuda mudanças profundas a partir de 2013. Não estando descartada, inclusive, uma despedida completa da blogosfera.
Por enquanto são apenas planos.
Mas as mudanças virão.
Com certeza!
Fundação Maurício Grabois fará homenagem a Renato Archer durante 64ª Reunião da SBPC
A Fundação Maurício Grabois promoverá uma mesa em homenagem ao grande maranhense Renato Archer, primeiro ministro de Ciência e Tecnologia da República, durante a 64ª Reunião da SBPC.
A honraria será realizada no dia 24 julho de 2012, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís (MA).
O evento contará com a presença do ex-deputado federal José Genuíno, Assessor do Ministério da Defesa.
No último dia 10 de julho de 2012, completou-se os 90 anos de nascimento do militar e cientista maranhense. A data não passou batida, ao menos para o jornalista e escritor Benedito Buzar, que publicou um brilhante artigo, reproduzido aqui, contando um pouco da grande história desse político brasileiro, falecido em 20 de junho de 1996.
O professor e presidente licenciado da Fundação Maurício Grabois – Maranhão, Cristiano Capovilla, informou ao blog a formação da mesa. Veja:
Palestrantes:
Marco Antonio Raupp – Ministro de Estado da Ciência e Tecnologia;
Álvaro Rocha Filho – Autor do livro Renato Archer: energia atômica, soberania e desenvolvimento;
Antonio José Silva Oliveira – Físico, vice-reitor da UFMA.
Rex Nazaré Alves – Físico, diretor de tecnologia da Faperj, ex-presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEM);
José Genuíno – Assessor do Ministério da Defesa.
Data: 24 de julho de 2012
Local: Auditório do CONEPEX
15:00h
A Grécia de Sócrates
por Frei Betto (reproduzido a partir do site Irã News)
Ao revisitar o Parthenon, na segunda semana de junho, encontrei próximo do Teatro de Dionísio, pensativo, meu amigo Sócrates.
― Como vão as coisas aqui na Grécia?
― Perdemos a sabedoria, meu caro. Urge reencontrar a lâmpada de Diógenes para enxergar luz no fim do túnel. Por sorte, nas eleições de 17 de junho, os partidos xenófobos não alcançaram maioria. E a esquerda ficou em segundo lugar, com boa representação no parlamento.
Turista acidental, vi que muitos gregos temiam pelo pior – comentei. ― Na semana precedente às eleições havia filas para retirar dinheiro dos bancos e muitas famílias estocaram alimentos.
― Nós nos metemos numa enrascada – observou o velho filósofo. ― Somos uma nação de 11 milhões de habitantes. Segundo Pitágoras, que entende de números, a Grécia não deveria ter abandonado o dracma e adotado o euro. O Reino Unido e a República Tcheca preservaram suas moedas e estão menos vulneráveis à crise. Agora é tarde. Estamos irremediavelmente reféns dos bancos. Tanto que empréstimo agora é chamado de resgate.
― A que atribui essa crise estrutural que assola a Europa?
― À obsessão neoliberal pelo consumismo. Nos últimos vinte anos desfrutamos de um padrão de vida ecologicamente nocivo e eticamente ofensivo ao resto do mundo.
― Acredita que a crise reforça o neonazismo representado pelo partido Aurora Dourada?
― As pessoas preferem segurança à liberdade – lamentou Sócrates. ― A xenofobia se alastra. Temos hoje 1 milhão e 400 mil imigrantes, mais de 10% de nossa população. Gente em busca dos empregos que nos faltam.
― Hipócrates me disse que os neonazistas ameaçam expulsar os imigrantes dos hospitais.
― Veja a que ponto chegamos – exclamou o filósofo. ― Nosso sistema de saúde faliu. Faltam médicos, aparelhos cirúrgicos, medicamentos. O problema não são os imigrantes, que agora só andam em bandos, com medo de agressões. A causa da crise é mais profunda. Se não houver mudança de paradigma de desenvolvimento, a Europa e o mundo não terão futuro.
― A seu ver, qual a saída?
― Falei ontem com Platão. Sabe como é, os idealistas se cobrem de otimismo. Ele acredita que graças aos empréstimos garantidos pela Alemanha haveremos de sair do buraco.
― E Aristóteles, concorda?
― Ari é mais pragmático. Sublinhou que o problema não é só grego. É global. Espanha, Itália, Portugal, Irlanda também caminham para o buraco. Os EUA estão em recessão. E a boia de salvação lançada pelo neoliberalismo é a mais furada possível: apertar o cinto. Até parece que as medidas de austeridade foram ditadas por Antístenes. Na verdade, querem salvar os bancos, e não as pessoas.
― Haveria que seguir o exemplo da Islândia – opinei – afetada duramente pela crise de 2008. Ela apertou o cinto sem estender o pires aos bancos e conseguiu, sem se endividar, superar as dificuldades.
― Ou do Brasil – frisou Sócrates. ― Vocês romperam com o FMI e estimularam o consumo interno, aumentando o salário mínimo, facilitando o crédito e combatendo a inflação.
― É verdade. Porém, como ainda somos uma economia periférica, a espada de Dâmocles da crise nos ameaça. Ainda não promovemos reformas estruturais e mantemos uma economia muito dependente das exportações.
― Hoje o mundo depende das finanças. Não há mais filosofia – comentou Sócrates. ― As pessoas já não querem um sentido para a vida, mas apenas lucros. Aqui na Grécia trocamos o Areópago pelo Banco Central Europeu. A política é, hoje, refém da economia. E não há quem controle a economia, exceto o interesse egoísta de acumulação privada da riqueza. Estou a ponto de tomar cicuta de novo.
Preparei-me para deixar o Areópago, enquanto Sócrates contemplava o Parthenon. Vi-o tão pensativo que decidi retornar.
― O que tanto o preocupa, mestre?
― Contemplo esta maravilha, o Parthenon. Algo, porém, me incomoda. As pinturas que decoravam este monumento de valor universal se encontram, hoje, no Museu Britânico. E o marido de Elizabeth II, o príncipe Phillips, é grego, nascido na ilha de Corfu. Bem que ele poderia nos devolver o que a nós pertence.
[Frei Betto é escritor, autor de "A obra do Artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), entre outras obras. www.freibetto.org - Twitter:@freibetto.
1º de maio
A todos os trabalhadores e trabalhadoras do Maranhão, um Feliz 1º de Maio, Dia do Trabalhador!
Uma homenagem do blog à Utopia Socialista:
A vida: uma pequena reflexão
O vida passa. E somos obrigados a deixá-la passar.
Ocorre que não podemos deixá-la passar por nós apenas: temos que passar por ela também.
Tinha pouco mais de 20 anos quando conheci uma bela região nos arredores do município de Lago do Junco. Fui vistar um assentamento do MST.
De lá saí impressionado com o estilo de vida daquelas pessoas e, principalmente, da vontade que tinham de viver. Aliás, viver por aquelas bandas era quase uma questão de sorte para os assentados, tal o conflito social entre pobres e ricos na região.
Por um bom tempo tentei convencer Karla para irmos morar naquele lugar. Após me formar, em 1994, ainda tentava partir para tal aventura, mas razão dela prevaleceu sobre a minha emoção, digamos assim.
E a vida passa…
O aquariano ainda é movido pela utopia de que é possível construir um novo mundo. A diferença é que com o tempo a gente aprende tantas coisas, passa por tantas tribulações e decepções que acabamos sendo obrigando a pisar no chão da vida real, quase sempre feito de dor.
E quando chegam os filhos? Aí que muda tudo mesmo!
Já não somos donos de nós mesmos, já não podemos cometer as “irresponsabilidades” de outrora, pois as consequências não serão mais sentidas apenas por nós.
A vida é assim..
O grande desafio é saber viver!
Recuar na hora da ira, reconhecer as nossas limitações, administrar nossos ímpetos de maldade, reconhecer os erros, praticar a humildade, respeitar as pessoas, nunca esquecer que não somos absolutamente o que julgamos ser e que Deus é o sentido de tudo.
A vida é mistério…
O blogueiro tem muito respeito pelos que cometeram o ato extremo de tirar a própria vida, mas respeita muito mais os que não desistem dela.
Entre uma corda e o horizonte fico com o horizonte…
Entrevista: David Harvey
Entrevista concedida à jornalista Eleonora de Lucena (Folha de São Paulo), no dia 27.02.2012. Veja:
As políticas de austeridade perpetuam o desastre econômico. E há uma lógica por trás disso: os ricos e poderosos se beneficiam da crise, que provoca mais concentração de renda e de poder político. A análise é do geógrafo marxista David Harvey, 76.
Professor de antropologia da Universidade da Cidade de Nova York, ele fala da ascensão do pensamento de direita e espera a emergência mais sólida de movimentos contra a desigualdade.
“Até pessoas muito ricas, como Warren Buffett, reconhecem que a desigualdade foi longe demais”, afirma.
Harvey estará no Brasil nesta semana para debates em São Paulo e no Rio e para o lançamento de seu livro “O Enigma do Capital”.
“Crise beneficia os mais ricos”
Folha – Como analisa a crise?
David Harvey – As crises não são acidentes. São fundamentais para o funcionamento do capitalismo. O capital não resolve as crises, mas as move de um lugar para o outro.
Que mudanças ocorrerão?
A China está além do limite e terá problemas difíceis. Há superprodução e superinvestimento e haverá fortes pressões inflacionárias.
Como avalia o caso da Grécia?
A Grécia terá que declarar moratória e deixar o euro. No curto prazo, pode ser traumático, mas a Argentina decretou moratória e voltou mais forte. É preciso sair do euro para fazer o que a Argentina fez: desvalorizar a moeda.
Qual o impacto dessa crise na política?
A visão da direita é muito nacionalista. Há a emergência do nacionalismo não só na Grécia, mas em outras partes, o que pode se mover para ditaduras. Há uma transferência de riqueza do povo para os bancos, e o povo protesta em muitos países.
A crise ampliará a diferença entre ricos e pobres?
Nos EUA, os dados mostram que a desigualdade de renda cresceu de forma notável com a crise. Cresce também a desigualdade de poder político. Há muitos movimentos no mundo contra a desigualdade.
Mas a direita cresce.
Sim. Não é só a direita que está crescendo, mas um movimento nacionalista, que também existe na esquerda. Uma das respostas políticas é tentar cortar as ligações com a globalização e buscar um programa de autonomia local e de autodeterminação local, demandas que estão na esquerda e na direita.
Isso pode levar a guerras?
Gerará mais tensões. Podemos ver conflitos militares regionais, não o tipo de guerra dos anos 40. Por exemplo, o Brasil tem uma versão disso nos conflitos das favelas do Rio de Janeiro.
E o que deve ser feito?
É preciso que haja um movimento político que enfrente a questão sobre qual deve ser o futuro do capital. Não vejo nenhum movimento fazendo isso de forma coerente. É o que tento estimular.
E o que o sr. defende?
Acredito que os trabalhadores precisam ter o controle do seu processo produtivo. Eles deveriam se auto-organizar em fábricas, locais de trabalho, nas cidades. A ideia é que associações de trabalhadores possam regular sua produção e suas decisões. É preciso também ter um mecanismo de coordenação, o que é diferente dos mercados.
Isso não é tarefa do Estado?
Historicamente o Estado tem que fazer isso, mas muitas pessoas não confiam no Estado, pois ele é muitas vezes corrupto e foi desenhado essencialmente para benefício do capital, não em benefício do povo. É preciso pensar numa forma alternativa de coordenação e organização.
Em “O Enigma do Capital” (2010), o sr. propõe criar um “partido da indignação” contra um “partido de Wall Street”. Como vai essa ideia?
Há muitas diferenças entre os movimentos pelo mundo. Nos EUA, o movimento “Occupy” é pequeno e fragmentado e não está maduro em termos de força política. Isso poderá ser mudado.
Em “O Novo Imperialismo” (2003), o sr. fala da questão da hegemonia dos EUA. Como vê isso hoje?
Os EUA continuarão a ser um poder significativo, mas não da forma que foram nos anos 70 e 80. Haverá poderes hegemônicos regionais. O Brasil será um deles. China, Índia e Alemanha também.
O consumismo é ainda a chave para a paz social nos EUA, como o sr. diz no mesmo livro?
Austeridade reduz o padrão de vida, o consumo, a produção e o emprego. Torna as coisas ainda piores. Mas EUA e Europa estão engajados na política da austeridade, e isso está perpetuando a crise. Mas há uma lógica por trás na perpetuação da crise: as pessoas poderosas e influentes se beneficiam dela. Os ricos estão indo muito bem. Portanto, perpetuar a crise é uma forma de perpetuar seu crescente poder e sua crescente riqueza.
Em “The Limits to Capital” (1982), o sr. descreve a dinâmica do capital. O poder das finanças cresce com a crise?
Sim. O capital financeiro é hoje importante como nunca foi. Mais ativos serão fornecidos ao setor bancário. Quando é preciso mais dinheiro, o Fed [banco central dos EUA] aparece com um trilhão de dólares e joga no mercado.
Portanto, não há limite à capacidade de criar o poder do dinheiro. Há limites em muitas outras áreas: recursos naturais, produção de commodities etc. Não há limite ao poder do capital financeiro.
O sr. está otimista?
Sou otimista no sentido de que acredito que as pessoas vão reconhecer que há limites sérios no capitalismo e que é preciso considerar modos alternativos. De outro lado, a volatilidade é tanta que as pessoas podem tomar direções malucas, o que pode levar a autoritarismos e a sérias rupturas na economia.
As ideias que o sr. defende não podem ser consideradas utópicas?
Pode ser. Mas mesmo o pensamento dominante está começando a reconhecer que o nível de desigualdade que existe hoje não pode ser sustentado. Até pessoas muito ricas, como Warren Buffett, reconhecem que a desigualdade foi longe demais.
A palavra é: CRISE
Ano novo, crises novas. Não tem como ser diferente: elas fazem parte das nossas vidas.
O problema é que há pessoas que focam na “crise” e não no seu enfrentamento e na sua superação.
Crises existem para mostrar que estamos vivos e que precisamos agir, ou seja, ter atitude diante delas.
Seja em casa com a família, na faculdade, na igreja, no clube social, no trabalho, na amizade, no casamento, namoro ou no “lance”, sempre encontraremos situações em que a crise pode ser causa certa para a destruição de sonhos, projetos e relacionamentos.
Há um adágio popular que diz: “depois da tempestade vem a calmaria”, não é verdade? Pois é.
Ocorre que esquecemos de que o contrário também é verdadeiro, ou seja, situação de plena calamaria de repente pode ser seguida de crises profundas.
Isso ocorre porque a nossa vida tem formato de um “8”: ela segue o seu curso, dá voltas e acaba por oferecer, repetidas vezes, bons e maus momentos.
Assim, sempre que estiver enfrentando uma crise, seja ela qual for, não se desespere e tenha certeza de que ela não durará a vida inteira. Entretanto, não a alimente com lamentações, lamúrias ou queixumes na busca de compaixão ou que as pessoas sintam dó de você. Isso não adiantará nada!
Da mesma forma, tenha cuidado com os tempos de vacas gordas e de calmarias, pois, assim como as crises, também acabam e podem nos deixar liquidados caso não estajamos preparados para perdê-los repentinamente.
Enfim, quero deixar essa mensagem para todos os leitores e amigos que, na crise ou na bonança, não esqueçam que tudo na vida é passageiro e efêmero, como a nossa própria existência aqui neste mundo.
A humildade é o caminho…
Walter Benjamin: o anjo da história
Desajustado, eclético e visionário, o filósofo alemão é (ainda hoje) um dos melhores intérpretes de nossa época
Por José Francisco Botelho
Muitas vezes, quem melhor capta a essência de uma época são aqueles que nela não se ajustam: os náufragos da história, condenados a lutar de forma apaixonada contra o tempo em que nasceram – e, por isso mesmo, capazes de vivê-lo e de interpretá-lo com intensidade única. Nesse sentido, o judeu alemão Walter Benjamin (1892-1940) encarnou como poucos a alma da modernidade – porque nela se sentia desconfortável, desorientado e cheio de angústia. Homem de sensibilidade passadista e aspirações utópicas, foi um espírito do século 19 transportado para o século 20: viu a civilização industrial com olhos de estrangeiro e por isso foi capaz de compreendê-la profeticamente.
Crítico literário, pensador político e filósofo da história, Benjamin foi, antes de tudo, um “homem de letras” (no sentido mais clássico e mais amplo do termo) numa época em que a ditadura dos especialistas já começava a estrangular o mundo ocidental. Profundamente judeu e profundamente alemão, só se sentia realmente em casa passeando pelas ruas de Paris – cidade que descrevia deliciosamente como “a capital do século 19”. Era dono de grande erudição, mas jamais se tornou um erudito profissional: desprezado pelas academias durante a vida, só foi por elas endeusado após a morte. Deixou- se seduzir pelo marxismo, mas jamais se encaixou no padrão do intelectual materialista, guardando até o fim da vida um viés místico herdado da tradição judaica. Todos esses ingredientes fizeram dele um desajustado universal. Não foi um favorito da fortuna, e sabia disso – até o último momento, sua existência foi marcada por uma mistura de má sorte, brilhantismo e trágica autoconsciência. Foi um daqueles que, no dizer do latino Cícero, “só venceram na morte”.
Walter Benjamin
O berlinense Walter Benjamin (1892-1940) debruçou-se com igual brilhantismo sobre a literatura e o cinema, a política e a propaganda. Seus escritos continuam influenciando críticos e pensadores ao redor do mundo.
Inadequação crônica
Walter Benjamin nasceu em Berlim, em uma família de judeus assimilados, nos tempos do Império Alemão. No início da juventude, assistiu o Velho Mundo descer aos infernos nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Das ruínas da belle époque, emergiu uma Europa mecanizada e cheia de traumas. Mais tarde, em um ensaio, descreveria o choque dessas mudanças: “Uma geração que fora à escola em bondes puxados por cavalos se encontrou, subitamente, em uma paisagem onde tudo se alterara e nada permanecia igual ao que fora antes – exceto as nuvens e, debaixo delas, em meio a explosões, o frágil e minúsculo corpo humano”.
Benjamin jamais se adaptou aos novos tempos. Os fados o haviam dotado de dons brilhantes, mas incompatíveis com o mundo que o cercava. Tinha uma mente eclética e fascinada pelas minúcias, numa época em que a especialização e as generalizações ideológicas imperavam. Seu campo de estudo e fascínio era a vida humana: refletia com igual profundidade sobre a literatura alemã, a história dos brinquedos e a Hagadá (livro da Páscoa) judaica. Sua recusa à especialização custou-lhe a carreira acadêmica. Em 1925, tentou ganhar um diploma de livredocência na Universidade de Frankfurt com uma dissertação sobre o barroco alemão. Os caciques do departamento de letras acharam que o trabalho pouco tinha a ver com literatura e o enviaram à faculdade de filosofia. Os filósofos do instituto, por sua vez, consideraram que ali havia literatura demais e o mandaram de volta aos literatos. O século 19 saberia apreciar a figura do cavalheiro diletante, o hoje legendário homem culto, que ponderava ao sabor de sua biblioteca e podia falar sobre quase tudo sem dizer tolices – mas qual personagem seria mais ameaçador no tecnocrático século 20? Impossibilitado de lecionar, por excesso de inteligência, Benjamin passou a ganhar a vida com traduções e esporádicos artigos para jornais e revistas (o que faz dele, hoje, uma espécie de santo padroeiro dos escritores free-lancer).
Outro motivo de desentendimento entre Benjamin e sua época foi um fenômeno moderno que o próprio autor diagnosticou, em ensaios como O Narrador, de 1935: a perda da experiência coletiva. Para Benjamin, as sociedades baseadas no artesanato viviam num tempo lento e orgânico, ritmado pelos trabalhos manuais, um tempo em que as experiências individuais podiam sedimentar- se e transmitir-se gradualmente em tradições compartilhadas, como as formações minerais que se depositam gota a gota. A civilização industrial havia esfacelado esse mundo feito de vagar, memória e contemplação. No século 20, os acontecimentos passaram a se amontoar de forma tão veloz que a mente humana se tornou impermeável à realidade. Desnorteado, desprovido daquele senso de pertença que era tão natural aos artesãos de outrora, o homem industrial estava condenado a ser o fragmento de um quebra-cabeça cuja forma não percebia. “Por isso, parecemos estar perdendo uma faculdade que antes nos parecia segura e inalienável”, escreve Benjamin, “a faculdade de intercambiar experiências”.
Em poucos lugares do mundo, essas mudanças eram tão notáveis quanto na Alemanha dos anos 1930, que vivia uma industrialização galopante, acompanhada pela corrida armamentista e pela ascensão do nazismo. Em 1933, Benjamin trocou Berlim por Paris, que então era o porto seguro dos desajustados e dos boêmios. Lá, viveu alguns dos anos mais felizes de sua vida. Mesmo no agitado coração do século 20, Paris continuava sendo “capital do século 19”. Flanando por seus bulevares em peregrinações diárias, Benjamin conseguia reencontrar o que mais lhe fazia falta no turbilhão moderno: o sabor da lentidão, que é a face amena e modesta da eternidade.
Mas esse idílio acabou em 1939. Em agosto daquele ano, o ditador soviético Joseph Stalin assinou um pacto de não agressão com Hitler – o que lançou boa parte dos intelectuais marxistas da Europa num estado de perplexidade incrédula. Dois me- ses depois, os nazistas invadiam a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial. E foi sob o choque desses acontecimentos que Benjamin pôs-se a redigir, no início de 1940, um de seus textos mais pungentes: as curtas, melancólicas e eloquentes Teses sobre o Conceito de História, último escrito que completou antes de morrer.







