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Justiça, Polícia e Imprensa: um país seletivo

Ricardo Kostcho

Antes mais nada, muito grato pelo convite para participar deste debate com tão ilustres participantes sobre um tema que interessa a toda a sociedade _ e não só aos operadores do Direito ou aos profissionais de Imprensa.

Tentarei ser breve para tratar das cinco questões colocadas na apresentação do seminário, mas antes poderia resumir tudo numa pequena adaptação do nome dado ao seminário: “O Crime e a Notícia”.

Na verdade, no mundo todo, podemos dizer hoje que “o crime é a notícia”, de tal forma o noticiário policial ganha cada vez mais espaço e relevância nas diferentes plataformas de mídia.

Vamos às questões.

Por que em certas situações há respeito a certas garantias da pessoa acusada, como proteção do nome e da imagem, por exemplo, e em outras não?

Aqui o comportamento do judiciário e da imprensa se equivalem. O respeito a certas garantias da pessoa acusada _ e mesmo das vítimas _ depende basicamente da sua condição social e da sua capacidade de dispor de uma defesa competente.

Por uma questão cultural, costumamos ser implacáveis com os mais humildes e subservientes com os donos de qualquer poder, nem que seja apenas o de andar de terno.

Acho que foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quem disse uma vez que o Brasil não é um país pobre, mas um país injusto. E somos um país injusto porque não só a Justiça, mas o conjunto das instituições, incluindo a imprensa, são seletivas.

É por isso que em muitos casos Ministério Público, Judiciário, Polícia e Imprensa se unem para investigar, denunciar e julgar celeremente alguns suspeitos e, em outros, agem com extrema vagareza ou omissão, simplesmente.

Somos seletivos não só ao escolher o alvo das nossas investigações jornalísticas, mas também no destaque dado a cada caso e no julgamento prévio que fazemos dos suspeitos.

Até a maneira de nos referirmos a acusados ou a vítimas varia de acordo com seu nome e origem. Por isso, alguns podem ser algemados pela polícia e interrogados por jornalistas antes de chegarem à delegacia; outros, não.

É possível fazer uma cobertura mais equilibrada garantindo a atenção do público, principalmente considerando o perfil dos leitores/espectadores na atualidade?

Sempre é possível fazer uma cobertura mais equilibrada sem perder audiência, mas aqui também noto muita hipocrisia do público. Se você perguntar em qualquer pesquisa o que as pessoas preferem ver na televisão, por exemplo, vão responder que são temas ligados à cultura, à educação, à música, às artes, a histórias edificantes. Mas as televisões que privilegiam estes assuntos dão traço de audiência. Por que? Porque na hora em que pega o controle remoto, o sujeito prefere ver o Ratinho e outros bichos, os programas policiais de fim de tarde, os Big Brothers da vida, as celebridades e as aberrações em geral. E estes programas dão audiência em qualquer plataforma. E audiência dá dinheiro. É este o jogo. O público também é bastante seletivo: seleciona geralmente o que há de pior.

Qual é o impacto das novas mídias para o controle de qualidade do jornalismo e o respeito aos direitos individuais das pessoas retratadas?

As novas mídias provocaram a maior revolução nas comunicações sociais desde que aquele velho alemão, o Gutemberg, inventou a imprensa, faz mais de 500 anos. Democratizaram informações e opiniões, ajudaram a controlar a qualidade e as aberrações do jornalismo tradicional, denunciando suas manipulações. Mas, ao mesmo tempo, desrespeitam direitos individuais, de empresas, de instituições e de governos, numa guerra de extermínio de reputações, que só agora vem despertar a atenção das autoridades judiciárias para colocar um pouco de ordem na zona. Também aqui o impacto é seletivo: tanto pode ser para o bem, como pode alimentar os piores instintos de intolerância com o pensamento contrário.

Comente o funcionamento dos mecanismos de autorregulação e controle de qualidade e a função do Ombudsman nos meios brasileiros em que há essa figura.

Só conheço um único mecanismo de autorrregulação no Brasil que realmente funciona _ e já faz mais de 30 anos. É o Conar, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, uma entidade civil criada por representantes de veículos, agências e anunciantes, que recebe, julga e pune abusos cometidos por eles próprios. É bom para todo mundo: protege a sociedade e, ao mesmo tempo, as empresas e os profissionais sérios do mercado que não fazem qualquer coisa só por dinheiro. A função do ombudsman também é uma iniciativa meritória, um espaço de defesa para o leitor, mas só conheço a experiência da “Folha”. Por que os outros veículos não aderem a esta prática.

Por que não se dá mais publicidade aos parâmetros éticos estabelecidos dentro das redações?

O problema não é dar mais publicidade aos parâmetros éticos estabelecidos pelas redações. Até que se faz muita publicidade destes manuais e códigos de ética, mas que na verdade funcionam muito mais como marketing do veículo do que outra coisa. Se estes parâmetros fossem colocados em prática e respeitados no dia a dia do trabalho nas redações, nossa imprensa teria mais credibilidade, mais qualidade, mais isenção e certamente prestaria melhores serviços ao seu público.

Quais seriam as consequências para a democracia de se introduzir limites à liberdade de imprensa?

Não falaria em “introduzir limites à liberdade de imprensa”, que logo virão acusações de censura, controle social da mídia, e essas coisas todas. Prefiro falar em regulação dos meios de comunicação social, já que a nossa atual legislação tem mais de meio século, e é anterior portanto a todas as novas mídias que conhecemos hoje. Há que se estabelecer, após amplo debate na sociedade e no Congresso, um marco regulatório para o setor, assim como temos em todas as outras áreas da economia. A sociedade tem que ter instrumentos para se defender da mídia, assim como a mídia precisa dispor de meios para se defender dos abusos que vêm sendo cometidos por setores do Judiciário. Temos que ter uma regra do jogo que envolva todos os setores interessados _ e um bom ponto de partida é o próprio Conar, a instituição de que falei mais acima. A comunicação social não pode continuar sendo uma terra de ninguém, sem regras claras para todos, em que ainda prevalece a lei do mais forte. Sei que não estou contando nenhuma novidade, mas a comunicação social é um bem fundamental para a democratização da nossa sociedade e não pode ser um instrumento apenas a serviço dos interesses de seus acionistas.

Muito obrigado.


Voltando com tudo: crise entre poderes, PSB e Eduardo Campos

O chato de um blogueiro se afastar da blogosfera, por alguns poucos dias que sejam, é que quando quer tratar de determinados assuntos que foram destaques em um dos dias que ficou parado, parece perder o sentido, ou se preferirem, perder o time, da abordagem desses assuntos.

Penso que o blog perdeu o time em ao menos dois grande assuntos de grande repercussão nacional na semana passada: a crise entre o Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal por conta da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que pretende limitar os poderes do STF; e o programa nacional do PSB, exibido na telinha última na quinta-feira (25).

Mas resolves fazer breve comentário sobre os dois temas, só para não passarem em branco aqui no blog.

Congresso x STF

Essa “crise” entre o Poder Legislativo e Poder Judiciário só serve para mostrar o quanto o Brasil está longe de ser um país sério. Como é que duas importantes instituições basilares da democracia brasileira ficam duelando, medindo forças para saber quem consegue desmoralizar mais eficientemente uma com a outra?

Ora, visto de perto, bem de pertinho mesmo, chega-se à conclusão que nenhum dos dois poderes têm razão, pois ambas há muito não conseguem refletir o sentimento popular que exige seriedade por parte do Congresso Nacional e independência do Supremo Tribunal Federal, cujos ministros são escolhidos praticamente a dedo pelo Executivo ou através de lobby junto a figurões da República.

O Congresso vive reclamando da “judicialização” da política, mas sempre que surge um interesse contrariado de alguma bancada específica e ou de um estado, logo os parlamentares procuram o STF para tentar anular o que eles mesmos decidiram aprovar – vejam o caso da nova lei dos royalties do petróleo, que o Congresso Nacional aprovou, mas as bancadas dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santos resolveram ir às barras da justiça para derrubar a bendita.

Da mesma forma, o Supremo Tribunal Federal, vez ou outra critica o legislativo por supostamente se entrometer nos assuntos da corte suprema do país, mas o STF não vê nada de errado, por exemplo, em julgar o “mensalão” em plena época de eleição, dando conotação política para um processo que deveria ser julgado no âmbito estritamente jurídico.

Na verdade, já passa é da hora desses senhores criarem juízo e fundarem de uma vez por todas uma República de verdade neste país.

PSB E EDUARDO CAMPOS

Eduardo Campos: o Planalto já sabe quer o adversário principal tem olhos verdes

Já era esperado o tom de presidenciável do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, no programa nacional do PSB, que foi ao ar na última quinta-feira (25).

O socialista só não será candidato a presidência do Brasil nas eleições de 2014, caso não consiga viabilizar uma aliança político-eleitoral que lhe garanta bons palanques nos estados e um tempo mínimo razoável para apresentar as suas propostas no rádio e na tevê.

O programa foi bom do ponto de vista da produção e de conteúdo, mas falta ainda ao Eduardo Campos um discurso convincente sobre o porquê de não apoiar a reeleição da presidenta Dilma, já que o PSB está há 10 anos no governo liderado pelo PT, inclusive com o comando do super ministério da Integração Nacional.

Qual a crítica do PSB e do presidenciável Eduardo Campos aos governos Lula e Dilma? Qual a proposta alternativa ao projeto ora em curso no país? Quais setores da política nacional e da sociedade os socialistas pretendem agregar? Cabe setores conservadores e de direita na plataforma eleitoral dos socialistas brasileiros?

São algumas questões que ainda não estão claras no projeto político do PSB de Eduardo Campos, candidatíssimo à presidente do país. Com vontade ele está demais.

Mas, somente vontade não é suficiente para ganhar uma eleição presidencial no Brasil.


É preciso Edivaldo Júnior deixar de ser “cabo eleitoral” e virar prefeito

O prefeito Edivaldo Holanda Júnior não pode trocar a faixa de prefeito por “adesivo” de candidato

O prefeito Edivaldo Holanda Júnior enfrenta um problema seríssimo que pode fazer com que os próximos meses do seu governo sejam muito piores do que os cem primeiros dias.

É que alguns dos auxiliares Edivaldo desejam que ele seja mais “político” do que prefeito, que olhe mais para 2014 do que para 2013. Só que não há melhor forma do jovem gestor ver a sua avaliação popular cair a níveis infernais, do que trocar a faixa de prefeito por “adesivo” de candidato nas eleições de 2014.

Coincidência ou não, a última pesquisa que a Data M entregou ao prefeito, semana passada, mostram números muito mais desanimadores do que os revelados no primeiro levantamento feito pelo instituto que “acerta na mosca”, segundo apurou o Blog do Robert Lobato.

Se o leitor fizer um pequeno exercício de memória vai lembrar que, assim que Edivaldo Júnior assumiu o comando da Prefeitura de São Luis, havia um sentimento de que o prefeito iria realmente tomar rédeas do governo e governar. Eram tempos em que Edivaldinho dava sinais que desejaria trabalhar em parceria com o Governo do Estado e estava longe da pauta de 2014.

Mas, o que aconteceu depois? Simples: a facção mais radical instalada na sede da Prefeitura de São Luis praticamente desautorizou o chefe do executivo municipal a iniciar um diálogo maduro e democrático com o Palácio dos Leões, tudo por razões meramente politiqueiras. Isso é fato!

Só que os ditos aliados do prefeito não percebem que ao antecipar o calendário eleitoral de 2014 acabam por cavar a própria sepultura, posto que o “tempo” fundamental do Edivaldo não é 2014, mas 2016, quando concorrerá à reeleição.

Enfim, a cidade não precisa de um “cabo eleitoral” de luxo, mas de um prefeito que trabalhe diuturnamente para tornar realidade um arcabouço de promessas feitas durante a campanha eleitoral de 2012.

Meu jovem, não se sinta obrigado a vestir a “rubro” indumentária antecipadamente…


Mudança e novidade no Maranhão

Se há duas palavras banalizadas no Maranhão sem dúvida alguma são “mudança” e “novidade”.

E desde que o presidente da Embratur, Flávio Dino, aposentou a toga para dedicar-se à política, os dois termos não só viraram lugar-comum na retórica oposicionista, como parece quererem fazer deles quase um “monopólio” de uso exclusivo de políticos e movimentos ligados ao projeto dinista de poder.

Agora mesmo estamos vendo acontecer isso através do tal “Diálogos pelo Maranhão”, movimento liderado por Flávio Dino que está rodando o estado e ouvindo a sociedade para, em seguida, sistematizar os principais pontos discutidos e transformá-los numa plataforma da campanha eleitoral, em 2014.

Acontece que o “Diálogos pelo Maranhão” não é uma prática nova no nosso estado como muitos acreditam e outros querem fazer acreditar. Negativo.

Em São Luis mesmo já houve iniciativas como “A Frente ouve a cidade”, nos anos 90, cujos objetivos e concepções eram muitos parecidos com os do “Diálogos” de hoje.

O problema é dos nossos políticos, inclusive da oposição, é que esses tipos de ação popular e democrática obedecem apenas a um cronograma eleitoral, não tem nada de concreto do ponto de vista da população. É só “gogó”.

“Mas, Robert, a oposição não governa, logo não pode fazer além do que reunir a sociedade e os movimentos sociais para discutir propostas para o Maranhão”, pode contra-argumentar algum oposicionista mais apaixonado (ou mesmo interesseiro).

Só que não é bem assim.

O saudoso Herbert de Sousa, o Betinho, mobilizou o Brasil inteiro contra a fome via campanhas, debates, seminários, articulando e organizando entidades da sociedade civil, e o que é melhor: apresentando aos governos propostas reais de políticas públicas, no caso do nosso sociólogo, mais direcionada ao combate à fome no país.

Há vários outros exemplos.

O próprio PT dos tempos de oposição contribuiu muito com a experiência do chamado “Governo Paralelo” nos tempos de Collor e depois do Itamar Franco.

Maranhão é diferente: a nossa elite política tanto do governo e quanto da oposição adoram mesmo é um palanque, um microfone, horário eleitoral no rádio e na TV, enfim, gostam mesmo é de eleição.

Dessa forma, não basta apenas falar em “novidade”, apresentar-se como “novo”, fazer dessas duas palavras as grandes bandeiras eleitorais e ao término da eleição esquecê-las, elegendo-se ou não.

É a partir dos pressupostos levantados anteriormente que pode revelar-se numa esplêndida falácia afirmar que só reunir com esse e aquele movimento social, esse ou aquele setor da sociedade, estamos diante da “novidade” e do “novo”, principalmente quando os próprios articulistas ligados à oposição admitem haver choque de concepções de fundo entre Flávio Dino e José Reinaldo, onde o primeiro “deseja avançar projeto que prioriza a sociedade a partir da mediação da própria sociedade”, e segundo “defende que as lideranças de oposição adotem as mesmas práticas de cooptação tradicionais e deixem o discurso da mudança baseada mais na ideia de troca de nomes do que necessariamente de práticas”, (veja aqui).

Conclusão: a “novidade” e o “novo” da oposição maranhense estão amalgamados com concepções antiquadas e retrógradas tanto quanto ou até pior do que as do grupo ela, a oposição, diz combater.

De um lado Flávio Dino defendendo diálogo aberto com os amplos setores da sociedade.

Na outra ponta José Reinaldo Tavares querendo “cooptar a classe política”, sabe-se lá de que jeito.

Enfim, a única novidade nessa história toda é que ao menos há quem ouse escrever abertamente e revelar tamanha incongruência de concepção e prática políticas entre Dino e Tavares, personagens máximos das oposições maranhenses.


Luis Fernando começa a incomodar

Luis Fernando tem melhorando muito a sua performance política desde que deixou a Casa Civil.

Já é flagrante o incomodo que o secretário Luis Fernando (Sinfra) causa no território da oposição.

As simples notas de intrigas costumeiramente plantadas na imprensa oposicionista para colocar Luis Fernando contra Lobão, e vice-versa, já não surtem mais o efeito desejado, pois a cada dia parece mais claro que o  ”candidato” escolhido pelo grupo Sarney é mesmo o ex-prefeito de Ribamar. A ordem agora, portanto, é o ataque direto contra ele.

Isso porque Luis Fernando vem a cada dia melhorando a sua performance política, reforçada ainda mais com o Governo Itinerante, cujo roteiro e estratégias foram planejadas pelo secretário de Projetos Especiais, Clodomir Paz.

Em entrevista recente ao jornal O Estado, Paz afirmou que o “Governo Itinerante” atenderá a quatro municípios por semana. Pela proposta do secretário deverá ser percorridas 94 cidades até o fim do ano, com preferência para aquelas de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Clodomir Paz: secretário tem dado o tom político nas ações do Governo Itinerante

E é justamente este tipo de movimentação que começa a deixar a oposição preocupada, pois Luis Fernando, que embora não seja tão conhecido assim no Maranhão, já aparece bem situado nas últimas pesquisas de intenção de voto.

Além do mais, o comandante da Sinfra tem atualmente canais de interlocuções com praticamente todos os partidos do Maranhão, da esquerda à direita, do governo à oposição. Até o PDT, partido historicamente de oposição ao grupo da governadora Roseana Sarney, Luis Fernando já dialoga e não seria surpresa alguma, ao menos para o Blog do Robert Lobato, se os trabalhistas estiverem no seu palanque nas eleições de 2014.

Nesse sentido, a continuar fazendo a sua parte, ou seja, movimentando-se bem politicamente, aglutinando forças políticas para além do seu grupo, se soltando mais e fazendo com que as “ordens de serviços” anunciadas pelo Governo Itinerante saiam realmente do papel, com certeza a oposição tem mesmo muito com que esquentar a cabeça com Luis Fernando.

E com o Clodomir também…


Eliziane Gama é candidata ao governo pra valer?

Eliziane Gama em um dos momentos da campanha eleitoral de 2012

Bem, o Blog do Robert Lobato começa respondendo a pergunta que dá título ao post: tudo indica que sim!

Não temos porque acreditar que a deputada estadual Eliziane Gama (PPS) esteja blefando ao percorrer o Maranhão inteiro anunciando que é candidata a governadora do Maranhão.

Este blog já duvidou da intenção da irmã, mas, ao que parece, a mulher está mesmo disposta a enfrentar as urnas como candidata ao governo, ainda que os seus movimentos possam despertar a desconfiança de que ela será candidata a deputada federal.

Claro que Eliziane ainda está sob o efeito embriagador da eleição de 2012, quando surpreendeu meio mundo de governistas, comunistas, trabalhistas cristãos etc, e ficou em terceiro lugar alcançando quase 80 mil dos votos válidos (13,81%) para prefeita de São Luis.

Contudo, no que sobra de vontade e fé de Eliziane Gama, lhe falta no que diz respeito à estrutura de campanha, tempo de TV, coligação e unidade partidária, já que boa parte do seu PPS não está nem aí para a pobre, incluindo os deputados do partido, Othelino Neto e Simplício Araújo, ambos engajados na campanha do presidente da Embratur, Flávio Dino  (PCdoB).

Só que Eliziane já demonstrou que tem disposição para fazer campanha, é boa de TV, tem discurso e também aparece como “novidade” na política maranhense, talvez até mesmo mais do que o próprio Dino.

Enfim, a deputada popular socialista dá sinais claros que deseja mesmo ser candidata a governadora nas eleições de 2014. Subestimá-la pode se revelar, futuramente, em um erro crasso tanto de governistas quanto de oposicionistas.

Tal como ocorreu em 2012, na eleição municipal em São Luis…


Cadê o prefeito, hein?

Prefeito Edivaldo Holanda Júnior: pouco se vê, pouco se sabe…

Desculpe-me os amigos governistas municipais, mas sinto falta do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PTC) em muitos momentos da vida política da cidade. E olha que nem vou falar do Carnaval e da Semana Santa.

Tudo bem que um gestor pode optar pela distância dos holofotes e das câmeras, mas chama a atenção a ausência de Edivaldinho no cotidiano  de São Luis.

Não fosse, por exemplo, a trabalho do secretário Municipal de Comunicação, jornalista Márcio Jerry, talvez a cidade sequer fazia ideia de há um jovem sentado na cadeira de prefeito de São Luis.

E mesmo assim, quando Jerry aparece na imprensa é quase sempre para apagar incêndios e defender o prefeito ou algum dos seus secretários – não sei como ele silenciou no caso da suspensão do programa Caminhão do Peixe… Aliás, o blog soube que o secretário Marcelo Coelho havia avisado há meses o prefeito sobre dificuldade que teria para implementar o programa nesta semana Santa de 2013.

Podem reparar que, no geral, o secretariado da Prefeitura de São Luis é sofrível, não há um nome que se destaque através de alguma ação inovadora, criativa, empreendedora. Vou dar o benefício do pouco tempo de gestão para a falta de algo de destaque entre os secretários, mas daqui a alguns meses volto especificamente a esse ponto, para elogiar ou para criticar, conforme a realidade apresentada.

Se é verdade que o ex-prefeito João Castelo não gostava de se relacionar com a imprensa, no caso de Edivaldo Júnior parece se tratar de ignorá-la ou, quiça, subestimá-la. Já houve vários casos de gravidade considerável que simplesmente o prefeito simplesmente fez de conta não ter existido.

Enfim, está chegando os cem primeiros dias de administração Edivaldo Holanda Júnior.

Contudo, fica a leve impressão de que são, em verdade, apenas uns “SEM” dias de governo…


Zé Carlos diverge de Bira do Pindaré sobre Refinaria Premium e ITBI em Ribamar

Dep. Zé Carlos: atuação equilibrada e não somente retórica oposicionista

Quase passa despercebida a divergência sobre dois pontos polêmicos entre os deputados petistas Zé Carlos e Bira do Pindaré, ocorrida na sessão desta segunda-feira (25). “Quase passa”, mas o Blog do Robert Lobato está ligado.

O primeiro ponto de divergência foi quanto à questão das obras da Refinaria Premium, localizada no município de Bacabeiras.

Antes de Zé Carlos subir à tribuna, o seu colega Bira havia usado a palavra, em  outro momento, para, como sempre, desempenhar o papel de semeador da doutrina do “quanto pior, melhor”, de fazer oposição cega, quase contra o Maranhão.

Zé Carlos, que tem uma postura mais equilibrada, afirmou que esteve no Palácio dos Leões durante a visita do ministro Edson Lobão (Minas e Energia) ao governador em exercício, Washington Luiz (PT), e gostou do que ouviu do auxiliar da presidenta Dilma.

“Estive no Palácio do Governo no momento em que o ministro Edison Lobão, acompanhado de um diretor da Petrobrás, fez uma avaliação desse projeto, deixando muito claro que tivemos problemas em relação a essa obra, mas que a forma em que foi colocada: transformador sendo comprado e chegando a São Luís neste mês; subestação prevista para início de maio ou para o mês de junho; terraplanagem do setor sul, que representa 20% aproximadamente da terraplanagem, também prevista para reiniciar a partir de junho depois das chuvas. Isso me deixou a certeza de que o ministro não viria a São Luís hipotecar a sua palavra, a sua história, pois essa obra apenas teve interstício de reinício, de uma etapa para outra, por conta do inverno. Ele veio para dizer que ela vai se iniciar”, disse o parlamentar petista.

Dep. Bira do Pindaré: terrorismo político e retórica oposicionista radical

A segunda divergência de Zé Carlos em relação a Bira diz respeito à cobrança do ITBI aos beneficiários do Programa Minha Casa, Minha Vida, no município de São José de Ribamar.

Bira havia acabado de fazer um discurso que beirou o terrorismo político ao tentar responsabilizar unicamente o prefeito da cidade, Gil Cutrim (PMDB), por essa questão.

Foi quando, mais uma vez, Zé Carlos usou de honestidade política e colocou as coisas como de fato elas são nesse caso do ITBI das casas do Programa Minha Casa, Minha Vida, lá minha querida Ribamar.

“Venho acompanhando de perto, conheço essa questão como a palma da minha mão [o caso ITBI] e a solução realmente é de todos nós, mas infelizmente essa solução está numa única pessoa. As pessoas que realmente têm o direito a essas moradias estão indo às construtoras, pedindo para ocupar o seu imóvel para evitar realmente que alguém que não tenha esse mérito ocupe e aí cause um transtorno intenso para o governo federal, para a Caixa Econômica Federal e para o município de São José de Ribamar. Mas tive outra notícia que o prefeito [Gil Cutrim] está realmente decidido a isentar o ITBI, já mandou anunciar, está havendo reuniões com a Caixa Econômica Federal, houve reunião com o Ministério das Cidades e eu tenho certeza de que esta decisão do prefeito é a mais sensata possível, é a decisão de quem quer resolver o problema, porque, apesar de ser todos nós, infelizmente. Portanto, parabéns ao prefeito Gil Cutrim, por estar realmente decidido a fazer essa isenção e acabar com esse problema”, disse Zé Carlos.

Por mais que o Blog do Robert Lobato tenha criticado a dubiedade política do deputado Zé Carlos na Assembleia Legislativa, que ele prefere chamar de “independência”, não se pode negar que ele tem usado o seu mandato com responsabilidade e honestidade política, e não somente enquanto instrumento de retórica para apontar eventuais erros do governo, como faz o deputado Bira do Pindaré,  que não tem a devida coragem de debater como esse mesmo governo as possíveis saídas e soluções.

É a opinião do Blog do Robert Lobato.


Deu no jornal chileno “Pulso”: Flávio Dino completamente focado nos preparativos para a Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil

O Blog do Robert Lobato reproduz entrevista com o presidente da Embratur, Flávio Dino, concedida ao jornal chileno “Pulso“, especializado em econonia e negócios.

A entrevista foi publicada em espanhol, mas, como através do Google tudo é possível, e o blogueiro não tem nada de bobo, fez-se a tradução on line da mesma. Veja como ficou:

“Estamos trabalhando para mudar a impressão de que o Brasil é um destino caro”, diz o presidente da Embratur.

Presidente da Embratur, Flávio Dino

“Certamente é”, responde Flávio Dino, presidente do Instituto Brasileiro de Turismo, Embratur, quando perguntado se o Brasil está pronto para mega eventos esportivos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. “O governo tem trabalhado duro no desenvolvimento necessário para satisfazer as expectativas desses eventos”, diz ele.

A seguir a íntegra da entrevista.

Como será o andamento de projetos de infraestrutura para a Copa do Mundo e as Olimpíadas?
Flávio Dino: Todos os projetos estão ocorrendo dentro do prazo, e Brasil demonstrou que ele pode receber os turistas e a partir deste ano, através da Copa das Confederações.

O que se espera de ambos os eventos esportivos gananciasque?
FD: Brasil mais do que dobrou de divisas geradas por turistas internacionais (173%), de 2003 a 2011. Aliás, no conjunto de metas estabelecidas pelo Plano Aquarela, divisas é o principal indicador, pois mostra a contribuição do turismo para a economia brasileira. Nossa meta para o crescimento em divisas é de 192%-2009-2020. A expectativa é que em 2020 as receitas em divisas atingiram EUA $ 15.500 milhões.

O que é esperado em termos aumento do PIB?
FD: A Copa do Mundo deve acrescentar R$ 183.000 milhões para o PIB brasileiro até 2019, cerca de 92.237 mil dólares. Para os Jogos Olímpicos, o impacto esperado de EUA $ 11.000 milhões no PIB entre 2009 e 2016, e dos US$ 13.500 milhões entre 2017-2027.

Como a crise internacional vai afetar o turismo no Brasil?
FD: Apesar da crise econômica mundial, em 2012 atingimos recorde de 5,7 milhões de turistas estrangeiros, superando os números do ano anterior, quando atingiu 5,4 milhões. Além disso, o Brasil tem batido o volume recorde de divisas por meio do turismo e do número de eventos internacionais realizados, demonstrando que a crise internacional não afetou o turismo no país.

O Brasil tem uma reputação de ser um país caro. Você está trabalhando nessa questão?
FD: Com a aproximação de megaeventos como a Copa das Confederações, a Copa do Mundo, o Dia Mundial da Juventude e os Jogos Olímpicos, o Brasil está exposto para o mundo, portanto, os preços têm sido o nosso maior desafio.

A partir da Conferência Rio +20, a Embratur está trabalhando com hotelaria, aviação civil, entre outros, para mudar a impressão de que o Brasil é um destino caro, garantindo assim a competitividade durante esses eventos.

Eles estão negociando com hotéis para manter as suas taxas, por exemplo?
FD: De acordo com pesquisas realizadas durante os eventos no Brasil, vemos que o maior desafio neste setor é o preço. Para fazer isso, a partir de meados de agosto de 2012, a Embratur monitores de rede tarifas do hotel e, este ano, vamos discutir com a indústria sobre esta pesquisa. Criamos também uma Câmara Setorial está trazendo este sector para analisar os dados coletados, comparando as taxas de hotéis destinos brasileiros no exterior.

Para a recepção desses eventos? Ter um impacto positivo no turismo a longo prazo, precisamos assegurar e manter a atratividade do país como um destino competitivo em termos financeiros para o cenário mundial.

Qual é a sua avaliação sobre Plano Brasil Maior, que reduziu impostos na indústria hoteleira?
FD: O Governo Federal já havia reduzido impostos sector hoteleiro através do programa Brasil Maior (Maior Brasil). Na ocasião, os hotéis foram encaminhados para a eliminação da contribuição ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) de 20%, que será substituída pela taxa de 2% da receita da empresa. Este foi o primeiro passo no sentido de garantir a necessária infra-estrutura para o evento mega. A conseqüência disso é a possibilidade de que o setor privado é maleável. Outra medida do Governo Federal que tem ajudado a reduzir o custo do sector hoteleiro foi reduzido as tarifas de eletricidade em até 32% para o comércio e indústria, recentemente anunciado pela presidente Dilma Rousseff.

Há capacidade hoteleira suficiente?
FD: Estamos aproveitando o setor hoteleiro para atingir o seu nível máximo, com base nos planos para os dois eventos.

Desde a eleição do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016, o setor hoteleiro vem recebendo novos empreendimentos, bem como a remodelação de hotéis antigos.

Além disso, o governo está investindo em projetos de formação de pessoal, de cozinheiros para gerentes de hotel, para aumentar a qualidade do serviço e da competitividade no setor.

Quantos hotéis estão sendo construídos?
FD: Até 2019 prevê a construção de 324 novos projetos com cerca de 55.000 unidades. Ao mesmo tempo, as unidades hoteleiras existentes receberam linhas de crédito para a reforma?, E do alargamento.

Além disso, em 2012, o governo lançou uma nova classificação de instalações de alojamento, que estimulem o investimento por parte dos empresários. O Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem chamado (SBClass) procura normalização dos hotéis para proporcionar maior segurança aos turistas na escolha de alojamento e promover aumento da competitividade do turismo nacional


Ninho tucano está cada vez mais alvoroçado

Ricardo Kotscho

As últimas notícias que chegam do cada vez mais alvoroçado ninho tucano dão conta de um encontro secreto de Eduardo Campos, governador de Pernambuco e possível candidato presidencial do PSB, com o ex-governador paulista José Serra, desafeto histórico do senador mineiro Aécio Neves no PSDB.

Não se trata da única novidade que deve deixar Aécio mais preocupado ainda com o PSDB paulista. O governador Geraldo Alckmin, que também teve dois encontros reservados com Campos, mais preocupado com a própria reeleição, decidiu abrir novos espaços para o aliado PSB, por sua vez em busca de um palanque forte em São Paulo.

Alckmin e Serra estão se movimentando para devolver a Aécio o que ele fez quando os dois se candidataram à Presidência da República e ficaram sem o apoio do então governador mineiro. O nome mais popular que se dá a isso é vingança.

Já se fala até numa improvável chapa Eduardo Campos- José Serra. É difícil imaginar Serra, duas vezes candidato derrotado a presidente da República, em 2002 e 2010, ser vice de alguém, mas é fato que ele não esconde mais seu desntentamento com os rumos do PSDB e no partido se fala abertamente na sua saída.

Para onde? O ex-governador paulista anda de conversas com o presidente do PPS, Roberto Freire, que ele fez deputado federal por São Paulo, depois de abrigá-lo em dois conselhos municipais quando foi prefeito da capital.

Desaparecido do noticiário, Freire ressurgiu nas últimas semanas como grande articulador político nacional ao se aproximar de Eduardo Campos e sinalizar apoio à sua candidatura. Os dois são pernambucanos e críticos da hegemonia PT-PMDB.

Aécio também esteve reunido com Alckmin e Serra, esta semana em São Paulo, mas a divisão dos tucanos teima em ficar do mesmo tamanho. O virtual candidato do PSDB até ofereceu cargos no comando do partido, que ele deve presidir a partir de maio, mas Serra continua fazendo beiço e só pensa em se vingar do senador mineiro.

É neste clima de animosidade explícita que os tucanos vêem Eduardo Campos avançar cada vez mais em seus redutos no empresariado e nos partidos de oposição, enquanto a presidente Dilma Rousseff, já lançada por Lula à reeleição, bate recordes de popularidade, em especial no Nordeste.

Repete-se, desta forma, a cristianização das candidaturas do PSDB nas últimas três eleições presidenciais. A única certeza que resta para Aécio em São Paulo é o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que lançou o nome dele ainda no ano passado, depois de ser mantido à distância das campanhas tucanas.

Pelo que conheço dele, se Aécio Neves perceber que a sina tucana pode se repetir nas eleições de 2014, ele vai agradecer a lembrança do seu nome, mas dirá que prefere se candidatar novamente a governador de Minas Gerais, um vôo mais seguro.

E aí fica a dúvida: caso isso aconteça mesmo, quem o substituirá nas eleições presidenciais? Alckmin ou Serra de novo?