Ganhar a eleição para governador do Maranhão parece que se tornou quase uma questão de honra pessoal para Dino. Não se trata mais, a esta altura, apenas de um projeto de poder do dinismo, mas de um projeto de vida do candidato e seu grupo.

Não é por acaso que fabrica-se pesquisas eleitorais uma atrás da outra como se fossem pizzas saindo do forno a todo momento.

As “pizzarias” Data M e Exata não param a produção em série de números fabricados em fogo alto: a missão é passar a ideia que a vitória está assegurada já no primeiro turno, mesmo havendo de forma explicita uma tendência de disputa voto a voto entre os dois principais candidatos.

Portanto, as pesquisas se tornaram quase que um mantra para a campanha de Flávio Dino, algo do tipo: pesquisas mentirosas divulgadas repetidas vezes se tornam verdadeiras. Copiaram?

Então a ordem é fabricar pesquisa ao gosto do freguês.

Os fornos da Data M e da Exata não param.

Vai uma pesquisa, aí?

Flávio Dino está em segundo lugar no ranking de censura na internet.

O candidato a governador pelo coligação “Todos Pelo Maranhão”, Flávio Dino (CdoB), está em segundo lugar no ranking dos candidatos que mais entraram na justiça para retirada de conteúdo on line publicados na internet. A informação foi dada pelo portal eleição transparente, que é organizado pela respeita Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – Abraji.

abrajiSegundo o portal, até agora as candidaturas às eleições de 2014 entraram com 108 ações na justiça lutando contra a divulgação de informações.

O candidato comunista ao governo do Maranhão só fica atrás do senador Benedito de Lira (PP), candidato a governador pelo estado Alagoas.

Na verdade, o infográfico (abaixo) mostra Dino empatado com o alagoano em número de processo contra informações na internet. São nove pedidos na justiça.

aeroi abraji2Sem dúvida uma péssima notícia para o candidato do PCdoB que sempre posou de paladino da liberdade de expressão e de imprensa.

Nesta segunda-feira 15, apenas 20 dias separam a eleição mais surpreendente dos últimos 25 anos do desfecho em 1º turno; tendências se inverteram e reverteram nas duas últimas semanas; a partir de agora, uma escalada de tensão quebrará recordes até que o tempo caia, como num jogo de xadrez-relâmpago; momento se mostra propício para presidente Dilma Rousseff, mas Marina Silva procura estancar viés de queda e retomar a ofensiva, enquanto Aécio Neves avalia que adversária do PSB vai “esfarelar” e ele mesmo chegará ao 2º turno.

247 – No cronômetro, o tempo da eleição está quase caindo. Já se dá conta, na virada do domingo para a segunda-feira 15, que faltam apenas 20 dias para a data do 1º turno. Paradoxalmente, enquanto a corrida se acelera, os três principais candidatos passarão a viver, até lá, os dias mais intensos e longos de suas vidas políticas.

É certo que, neste momento, está em curso uma reversão da tendência apresentada desde a morte do ex-governador Eduardo Campos, em 13 de agosto, e uma semana atrás. Mas igualmente se sabe que, nesta que é a eleição mais surpreendente dos últimos 25 anos, quando nova virada dos humores do eleitorado será vista como absolutamente normal. A eleição, afinal, já teve desde o início de 2014 seu momento de favoritismo da presidente Dilma Rousseff, em janeiro até maio, segundo as pesquisa.

Na fase que foi de junho a agosto, a oposição com Aécio Neves, pelo PSDB, e Eduardo Campos, do PSB, conseguiu construir uma tendência de alta paulatina, que já esbarrava na fronteira da realização de um segundo turno. Ao mesmo tempo em que eles ganhavam ponto a ponto nas pesquisa, Dilma gradualmente perdia alguns dos seus.

A disputa eleitoral experimentou um trauma em 13 de agosto, e ainda não se recuperou dele. Com o desaparecimento do ex-governo, o furacão Marina varreu da face da terra todas as certezas dos analistas e remexeu nos resultados das pesquisas. Na primeira semana de exposição como candidata, Marina largou diretamente no segundo lugar do Datafolha, um ponto a frente de Aécio, ampliou a distância e foi buscar a liderança que nunca, até então, havia sido tirada de Dilma nem no 1º nem no 2º turno.

MARINA PROTAGONIZOU A PRIMEIRA VIRADA – Na primeira grande virada da campanha, Marina abriu dez pontos sobre Dilma em segundo turno e, imediatamente, boa parte da mídia tradicional a alçou à posição de imbatível. Principal atingido, Aécio voltou para o patamar de 15%, quando antes frequentara os de mais de 20%. A presidente resistiu quanto pode, mas desceu a 33% no Ibope, o menor índice de sua trajetória aqui.

A partir da divulgação do programa de governo de Marina, as coisas mudaram de novo. A ex-ministra passou a ser alvo de críticas em série da presidente e do ex-presidente Lula, despertou aversão entre intelectuais e, até agora, ainda não encontrou um remédio adequado para estancar a sangria. Certo de que, assim como foi o grande prejudicado, poderá ser, a partir de agora, o principal beneficiado por Marina estar “esfarelando”, segundo expressão do próprio Aécio.

A eleição está se mostrando muito sensível aos fatos novos. Em comparação a todas as eleições desse Collor X Lula, em 1989, o debate entre os eleitores brasileiros está muito mais amplificado e com maior alcance, ainda que se possa discutir o nível em que ele se dá. O motivo, claro, é o crescimento da internet no Brasil, com toda a sua malha de informações replicadas em todos os seus fios.

TENDÊNCIA FAVORÁVEL A DILMA – Tudo, assim, pode mudar. A tendência das pesquisas é, sim, favorável a Dilma e ao PT. Mesmo debaixo da maior saraivada de ataques de sua história, o partido trabalha com projeções de que, outra vez, elegerá a maior bancada do Congresso. E Dilma, que nunca teve defensores nos meios mais antigos de comunicação e nos veículos que os ocupam, vai afirmando, com seus resultados nas pesquisas, que é muito mais resistente do que os adversários gostaria que ela fosse. Mais, está demonstrando uma capacidade de recuperação que, sem não leva-la a liquidar a fatura já na primeira volta, a lançará, para a segunda, em alta voltagem, como favorita.

Mas isso é hoje, que pode ser diferente dentro de dez dias e na data do voto. Aécio reorganizou sua campanha em Minas Gerais, mas sofre com articulações de tucanos ilustres, como o ex-presidente Fernando Henrique e o ex-governador e candidato a senador José Serra, por uma atitude menos agressiva contra Marina.

O senador mineiro sabe, ao contrário, que sua maior chance está em herdar os votos que Marina vai perdendo nas pesquisas. E com um discurso novo e afiado, ele vai querer ser, na fase decisiva, a surpresa do final do primeiro turno.

A cada vinte e quatro horas, a partir de hoje, os presidenciáveis estarão vivendo os dias mais intensos e longos e suas vidas políticas. Para eles, o tempo vai passar de maneira diferente, no ritmo dos fatos políticos, até que caia na hora marcada.

 

“Timidez: inicialmente se expor em grupos menores é mais fácil”

por Eduardo Yabusaki (Vya Estelar)

Não conseguir conversar em grupo por causa da timidez; não saber o que dizer; ou mesmo não conseguir paquerar… são entraves que geram problemas para a socialização e interação.

Essa é uma situação comum entre adolescentes, porém nem sempre percebidas pelos demais, a timidez de um ou de outro membro do grupo que muitas vezes se sente discriminado, ou se discrimina, por se sentir em desvantagem, inferiorizado ou mesmo preterido no contexto de sua convivência social.

Diferentes fatores podem envolver a timidez, desde características de personalidade como dificuldade em se expressar, ser mais introspectivo e reservado; ou mesmo fatores emocionais como insegurança, falta de autoconfiança, autoestima desajustada; e ainda, fatores circuntanciais como ambiente muito cheio, grupo que intimida… Enfim, para cada pessoa é importante avaliar os fatores que dificultam a interação ou reforçam a manutenção da timidez.

Para a superação, é certo que será necessário enfrentar a dificuldade, pois é importante criar estratégias para superar a timidez e vivê-las em situações reais. Porém, isso nem sempre é tão fácil e para tanto, por vezes, pode ser preciso ajuda de um psicólogo para facilitar esse processo de superação.

Quem possui características de ser mais acanhado ou reservado, terá que treinar e se esforçar para ser mais simpático e se expor de forma tranquila. Se sente que sua autoconfiança, insegurança ou autoestima acabam pesando por não estar bem, é preciso melhorar esses aspectos que podem estar associados à visão que tem de si mesmo ou como se mostra para as pessoas.

Sete passos para superar a timidez:

1. Caso existam situações que o intimidem, porque as pessoas são mais expansivas e sociáveis, procure se expor em grupo menores, em que se sinta mais confortável e acolhido;

2. Identifique situações sociais que te deixem mais confortável e à vontade para falar, comece por elas;

3. Procure identificar suas características positivas e torne-as suas aliadas;

4. Identifique assuntos que sejam mais fluentes para você, ou seja, de que gosta, tem facilidade e conhecimento para falar;

5. Não recue num primeiro momento de ansiedade, angústia ou constrangimento, esses sentimentos irão acontecer nas primeiras situações, se deixar predominar, vai congelar e não conseguirá falar; relaxe e respire fundo que irá passar; quando passar, vá aos poucos se expondo;

6. Não se conforme com suas características pessoais que o impedem de ser expansivo ou espontâneo, elas podem mudar desde que você crie uma forma diferente de viver e responder às mesmas situações;

7. Lembre-se que toda mudança passa por um processo de reaprendizado, e que isso exige empenho e dedicação especial para que aconteça, portanto acredite sempre e não desista nunca! Você é capaz e só precisa permitir que suas habilidades se aflorem.

Vá à luta!

 

BRESSER-PEREIRA EXPLICA POR QUE VOTARÁ EM DILMA

Fundador do PSDB e ex-ministro do governo FHC, o cientista político Luiz Carlos Bresser-Pereira anuncia seu voto na presidente Dilma Rousseff e aponta as razões; “é ela quem melhor atende aos critérios que adoto para escolher o candidato”, diz ele; “são dois esses critérios: quanto o candidato está comprometido com os interesses dos pobres, e quão capaz será ele e os partidos políticos que o apoiam de atender a esses interesses, promovendo o desenvolvimento econômico e a diminuição da desigualdade”; leia a íntegra

247 – O cientista político Luiz Carlos Bresser-Pereira, um dos principais intelectuais brasileiros, que foi fundador do PSDB e ministro do governo FHC, anunciou, neste domingo, que votará na presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, é ela quem está melhor capacitada a reduzir a desigualdade social no País. Leia abaixo o artigo de Bresser-Pereira:

Meu voto em Dilma

“Vou votar pela reeleição de Dilma Rousseff porque é ela quem melhor atende aos critérios que adoto para escolher o candidato à Presidência da República.”

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Em 1988 fui um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira e sempre votei em seus candidatos à presidência. Mas, gradualmente, fui me afastando do partido por razões de ordem ideológica e, depois da última eleição presidencial, vendo que o partido havia dado uma forte guinada para a direita, que deixara de ser um partido de centro-esquerda, e que abandonara a perspectiva desenvolvimentista e nacional para se tornar um campeão do liberalismo econômico, desliguei-me dele. Por isso quando hoje perguntam em quem vou votar, a pergunta faz sentido.

Vou votar pela reeleição de Dilma Rousseff, não por que seu governo tenha sido bem sucedido, mas porque é ela quem melhor atende aos critérios que adoto para escolher o candidato. São dois esses critérios: quanto o candidato está comprometido com os interesses dos pobres, e quão capaz será ele e os partidos políticos que o apoiam de atender a esses interesses, promovendo o desenvolvimento econômico e a diminuição da desigualdade.

Dilma atende ao primeiro critério melhor do que Marina Silva e muito melhor do que Aécio Neves. Isto nos é dito com clareza pelas pesquisas de intenção de voto, onde ela vence na faixa dos salários mais baixos, e reflete a preferência clara pelos pobres que os três governos do PT revelaram. O mesmo se diga em relação ao segundo critério na parte referente à desigualdade. O grande avanço social ocorrido nos doze anos de governo do PT tem um valor inestimável.

Já em relação ao desafio do desenvolvimento econômico, o problema é mais complexo. Estou convencido que Dilma conhece melhor do que seus competidores quais os obstáculos maiores que vêm impedindo a retomada do desenvolvimento econômico desde que, em 1994, a alta inflação inercial foi superada. Os resultados econômicos no seu governo não foram bons, mas isto se deveu menos a suas fraquezas e erros, e, mais, ao fato que não teve as condições necessárias de enfrentar a falha de mercado estrutural que está apreciando cronicamente a taxa de câmbio e desligando as empresas competentes do país de seu mercado, e, assim, , está condenando a economia brasileira à quase-estagnação. Desde 1990-91 , ao se realizar a abertura comercial, os economistas brasileiros (inclusive eu, naquele momento) não estávamos nos dando conta que o imposto sobre exportações de commodities denominado “confisco cambial” – essencial para a neutralização da doença holandesa – estava sendo extinto. Em consequência, as empresas industriais brasileiras passavam a ter uma desvantagem (custo maior) para exportar de cerca de 25% em relação às empresas de outros países por razão exclusivamente cambial, e uma desvantagem desse valor menos a tarifa de importação (hoje, em média, de 12%) para concorrer no mercado interno com as empresas que para aqui exportam.

A esta causa estrutural de apreciação cambial (a não-neutralização da doença holandesa[*]) devem ser adicionadas duas políticas equivocadas normalmente adotadas pelos países em desenvolvimento. A política de crescimento com poupança externa (de déficit em conta-corrente) e a política de âncora cambial para controlar a inflação apreciam o câmbio no longo prazo. Elas são responsáveis por cerca de mais 10 pontos percentuais de apreciação da taxa de câmbio que devem ser somados aos 25% acima referidos. Logo, a desvantagem total das empresas brasileiras em relação às empresas de outros países que exportam para os mesmos mercados que nós é, em média, de 35% ( 25% 10%), e a desvantagem total em relação às empresas estrangeiras que exportam para o mercado brasileiro é de 23% (35% – 12%). Estas duas desvantagens desaparecem nos momentos de crise financeira, que, mais cedo ou mais tarde, decorrem necessariamente dessa sobreapreciação.

Quando digo que a presidente não teve “condições”, estou dizendo que ela não teve poder suficiente eliminar essa desvantagem competitiva de longo prazo. Ela tentou: iniciou o governo fazendo um ajuste fiscal, reduzindo os juros, e promovendo uma depreciação real de cerca de 20%. Mas ela recebeu do governo anterior, marcado pelo populismo cambial, uma taxa de câmbio brutalmente apreciada, de R$ 1,90 por dólar, a preços de hoje. Por isso, a elevação da taxa de câmbio para cerca de R$ 2,28 por dólar não foi suficiente para torná-la competitiva. A taxa de câmbio que torna competitivas as empresas competentes existentes no Brasil (que denomino “de equilíbrio industrial”) deve estar em torno de R$ 3,00 por dólar. Em consequência desse fato e da retração da economia mundial, a depreciação não foi suficiente para levar as empresas a voltar a investir; foi, porém, suficiente para aumentar um pouco a inflação. Diante desses dois resultados negativos, os economistas do mercado financeiro e a mídia liberal gritaram, mostraram erros do governo (como o controle dos preços da eletricidade e do petróleo e a “aritmética criativa” para aumentar o superávit primário) e assim, sob forte pressão e preocupada em não ser reeleita, a presidente foi obrigada a recuar.

Mas não terão os outros dois candidatos mais importantes condições de fazer o que Dilma não fez? Estou convencido que não. Não apenas porque eles também não terão poder para enfrentar os interesses de curto prazo dos que rejeitam a depreciação cambial porque não querem ver seus salários e demais rendimentos diminuam e a inflação aumente, ainda que temporariamente. Também porque seus economistas não reconhecem o problema da doença holandesa e não são críticos das duas políticas acima referidas. Supõem, equivocadamente, que a grande sobreapreciação cambial existente no país é um problema de curto prazo, de “volatilidade cambial”. Basta ler seus programas de governo.

Terá a presidente poder suficiente para mudar esse quadro caso reeleita? É duvidoso. Ela não enfrenta apenas a oposição liberal e colonial, que é incapaz de criticar a ortodoxia liberal e não vê os conflitos entre os interesses do Brasil e a dos países ricos. A presidente enfrenta também a incompetência da grande maioria dos economistas brasileiros, que, apegados a seus livros-texto convencionais, não compreendem hoje a tese central da macroeconomia novo-desenvolvimentista (a tendência à sobreapreciação cíclica e crônica da taxa de câmbio) como não entendiam entre 1981 e 1994 a teoria da inflação inercial. Naquele tempo havia apenas oito (sim, oito) economistas que entendiam a inflação inercial. Quantos entenderão hoje os economistas que compreendem porque, deixada livre, a taxa de câmbio tende a ser sobreapreciada no longo prazo, só se depreciando bruscamente nos momentos de crise de balanço de pagamentos?

Voto pela reeleição da presidente, mas já deve estar ficando claro que não estou otimista em relação ao futuro do Brasil. Quando as elites brasileiras não conseguem sequer identificar o fato novo (mas que já tem 23 anos) que impede que o Brasil volte a crescer de maneira satisfatória desde 1990-91, como podemos pensar em retomar o desenvolvimento econômico? A esquerda associada ao PT está muda, perplexa; a direita liberal supõe que basta fazer um ajuste fiscal para resolver o problema. Embora um ajuste fiscal forte seja essencial para a política novo-desenvolvimentista de colocar os preços macroeconômicos no lugar certo, apenas esse ajuste não basta. Será necessário também baixar o nível da taxa de juros e depreciar a taxa de câmbio para que a taxa de lucro se torne satisfatória e as empresas voltem a investir. Só assim a economia brasileira deixará de estar a serviço de rentistas e financistas, como está há muito tempo, e os interesses dos empresários ou do setor produtivo da economia voltem a coincidir razoavelmente com os interesses dos trabalhadores.

A presidente tem uma famosa dificuldade de ouvir os outros, mas é dotada de coragem, determinação, espírito republicano e se orienta por um padrão moral elevado. Conta, ao seu lado, com alguns políticos de boa qualidade. Ela foi derrotada no primeiro round, mas, quem sabe, vencerá o segundo?

[*] Nota da Redação: “Em economia, doença holandesa (do inglês Dutch disease) refere-se à relação entre a exportação de recursos naturais e o declínio do setor manufatureiro. A abundância de recursos naturais gera vantagens comparativas para o país que os possui, levando-o a se especializar na produção desses bens e a não se industrializar ou mesmo a se desindustrializar – o que, a longo prazo, inibe o processo de desenvolvimento econômico. A expressão “doença holandesa” foi inspirada em eventos dos anos 1960, quando uma escalada dos preços do gás teve como consequência um aumento substancial das receitas de exportação dos Países Baixos e a valorização do florim (moeda da época). A valorização cambial acabou por derrubar as exportações dos demais produtos holandeses, cujos preços se tornaram menos competitivos internacionalmente, na década seguinte.” (Fonte: Wikipédia, verbete “Doença holandesa)

 

Presidente afirmou que respeita e acredita que o senador e ex-presidente deu importantes contribuições ao desenvolvimento do Brasil.

Ronaldo Rocha
Da editoria de Política (O Estado do Maranhão)

A presidente da República Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), destacou ontem em sabatina realizada pelo jornal O Globo, o legado do senador e ex-presidente da República José Sarney (PMDB). Dilma afirmou que respeita e reconhece as contribuições de Sarney pelo país. Na sabatina, a petista também falou a respeito do senador Fernando Collor (PTB) e de Paulo Maluf (PP).

Esta não foi a primeira vez em que a presidente da República ressalta a figura de Sarney. Em maio, ela lembrou que foi o ex-presidente o responsável pela concepção da Ferrovia Norte-Sul e fez elogios ao projeto.

Instigada ontem pelos jornalistas que conduziam a sabatina a falar sobre a aliança política que mantém com o ex-presidente da República, Dilma Rousseff reiterou a importância da atuação de José Sarney na base governista. “Respeito bastante o ex-presidente Sarney. Acho que ele fez boas contribuições para o país”, afirmou.

Dilma acrescentou que “as pessoas podem fazer alianças e manter suas posições”. Questionada sobre Fernando Collor, destacou que também o respeita. “Não sou instância de condenação para incriminar o senador. A Justiça inocentou o Collor. Ele não é uma pessoa absolutamente próxima do governo. Tem sua posição lá em Alagoas e eu respeito”, completou.

Norte-Sul – No mês de maio deste ano, a presidente Dilma Rousseff reconheceu a importância de Sarney na concepção original do projeto da Ferrovia Norte-Sul. Na ocasião, a presidente da República inaugurou trecho de 855 quilômetros entre Anápolis (GO) e Porto Nacional (TO).

Dilma lembrou que em 2007, ao ter iniciado o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o ex-presidente Lula (PT) precisou “recuperar o tempo perdido dos investimentos”, mas não recebeu dos governos do PSDB nenhum projeto que pudesse ser licitado a curto prazo – principalmente para a construção de ferrovias, uma das prioridades do governo do PT. “Você não tinha nada”, relatou.

A presidente ressaltou, contudo, que o fato de ter “herdado” a concepção da Norte-Sul da gestão José Sarney foi importante para a continuidade da obra. Para Dilma, o projeto de Sarney é hoje a “coluna vertebral do Brasil”.

“Nós herdados algo importante do senador e ex-presidente da República José Sarney, que foi a concepção de que era importante fazer a Ferrovia Norte-Sul. E nós atualizamos a visão da ferrovia percebendo que o Brasil tinha de ter uma coluna vertebral que seria a ferrovia das ferrovias; cortaria o Brasil de norte a sul e levaria o nosso país a superar esse atraso inexplicável, porque a época das ferrovias foi o final do século XIX e início do século XX”, destacou.

“De todos os momentos, em termos de logística, dos quais eu tenho muito orgulho, o que mais me orgulha é a conclusão da Ferrovia Norte-Sul na sua concepção original, aquela que nós recebemos de 27 anos atrás, quando, no governo Sarney, se concebeu o projeto”, finalizou.

Importância de Sarney já foi reconhecida por Lula

Brasília – Em outubro do ano passado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu, em audiência pública no Senado Federal, a importância da atuação do senador José Sarney (PMDB-AP) na convocação da Assembleia Nacional Constituinte.

Ao receber a Medalha Ulysses Guimarães durante a solenidade em comemoração aos 25 anos da Constituição de 1988, Lula destacou que Sarney foi fundamental para a implementação da Carta Magna.

“Quero colocar sua presença na Presidência [da República] no momento da Constituição em igualdade de forças com o companheiro Ulysses [Guimarães, presidente da Assembleia Constituinte], porque, em nenhum momento, mesmo quando o senhor era afrontado no Congresso, o senhor levantou um único dedo para colocar qualquer dificuldade aos trabalhos da Constituinte”, disse o ex-presidente.

Para o petista, a Constituinte foi o trabalho mais extraordinário que senadores e deputados federais já viveram desde a redemocratização do país.

“Certamente foi o trabalho mais extraordinário que o Congresso já viveu”, disse Lula.

Jornalista Breno Altman, diretor do Opera Mundi e colunista do 247, contesta o chororô de Marina Silva, que parece ter sido planejado como estratégia de campanha com seus marqueteiros; “Esse é seu disfarce para defender, a sorrelfa e a socapa dos cidadãos, posições neoconservadoras das mais reles. Não é a toa que ganhou, nesse final de semana, a simpatia militante da revista Veja, porta-voz do reacionarismo”, diz ele; segundo Altman, “a velha mídia, assim, completa o abandono de Aécio e se abraça a Marina Silva, em nome do antipetismo”

247 – O jornalista Breno Altman, diretor do Opera Mundi e colunista do 247, bate duro em Marina Silva neste sábado. Segundo ele, a candidata “mistura roteiros de santa e vítima para evitar o que realmente importa ao país: discutir projetos e rumos”. Leia abaixo:

CHEGA DE CONVERSA MOLE

Por Breno Altman

Marina Silva está se mostrando o pior tipo de personagem que a velha política é capaz de gerar. Mistura roteiros de santa e vítima para evitar o que realmente importa ao país: discutir projetos e rumos.

Sua receita cheira a mofo: apresenta-se como salvadora da pátria, acima de tudo e todos, de ideias e conflitos, de partidos e classes. Esse é seu disfarce para defender, a sorrelfa e a socapa dos cidadãos, posições neoconservadoras das mais reles.

Não é a toa que ganhou, nesse final de semana, a simpatia militante da revista Veja, porta-voz do reacionarismo.

A velha mídia, assim, completa o abandono de Aécio e se abraça a Marina Silva, em nome do antipetismo.

Na lógica destas forças, vale tudo para evitar que a candidata do PSB seja exposta em suas contradições e revelados os interesses que representa. Mas nada deterá o embate programático para deixá-la politicamente desnuda e os eleitores possam vê-la sem disfarce e maquiagem.